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Cadastro para o bom pagador

6 de maio de 2013
Quem já teve o nome negativado no Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) ou Serasa Experian sabe como é ruim ficar sem acesso a crédito, sem falar no incômodo de ver o nome “sujo” no mercado. Mas também tem muito brasileiro que paga as contas em dia e, por isso, quer mais vantagens “na praça”. Daí surgiu o cadastro positivo, criado pela medida provisória nº 518, em 2010; e regulamentado por decreto em outubro do ano passado. Pouca gente ainda o conhece, mas ele já está valendo e as redes varejistas e financeiras têm até agosto para se adaptar.
 
Ao contrário do que ocorre nas listas do SPC e do Serasa, a inscrição no cadastro positivo é feita de modo voluntário pelo consumidor. A autorização significa possibilitar o acesso a informações como onde, quando e quanto você gastou seu dinheiro, além da retirada e do pagamento de empréstimos. Os dados são captados por lojas e instituições financeiras e repassados a bancos de dados. “É a construção de um histórico. Com o tempo, quem é bom pagador poderá receber propostas melhores de prazos e até redução nas taxas de juros”, explica Leonardo Soares, diretor executivo de Produtos da Boa Vista Serviços. 
 
De acordo com Soares, o desafio do sistema será organizar e administrar o grande volume de informações. Segundo pesquisa realizada pela Boa Vista Serviços em 2012, 50% dos entrevistados autorizariam sua inclusão no cadastro positivo, enquanto apenas 24% têm propensão a recusar. A aceitação é maior entre as famílias com renda de até 10 salários mínimos, chegando a 63% na faixa de dois a cinco salários. No entanto, aponta o diretor, o índice passa de 80% após os consultores explicarem o conceito, detalhando o funcionamento e os benefícios. “Existe muito potencial de expansão, basta as pessoas entenderem o que é o cadastro positivo. As taxas de inadimplência já vêm caindo de forma consistente faz cinco anos. Acreditamos que vai ter uma adesão natural com o tempo”.
 
Para Rosana Grinberg, coordenadora executiva da Associação de Defesa da Cidadania e do Consumidor (Adeccon), não há porque se inscrever no cadastro positivo. “Não enxergo vantagens para o consumidor. O objetivo é facilitar o acesso a crédito, financiamentos, e na medida em que seu nome não está no SPC ou no Serasa, você já pode comprovar que honra os compromissos”, opina. Outra preocupação é com a segurança. “Não tem porque se expor tanto no mercado, ainda mais sem razão específica. Não se tem certeza da intenção de quem vai vê-los. A privacidade é mais valiosa.” Sobre o assunto, Soares afirma que estão sendo realizados investimentos em tecnologia anti-invasão. 
 
Maria Inês Dolci, coordenadora institucional da Associação Proteste, considera que ainda é cedo para avaliar a lista. “Participamos das audiências públicas na época da redação do texto, modificamos alguns artigos, mas ainda é meio recente. Só veremos o reflexo com o tempo.” Ela também ressaltou que o consumidor não deve se sentir obrigado a aderir ao cadastro em nenhum momento. “Não se pode exigir a inclusão como requisito para conceder crédito”.

Fonte: Diario de Pernambuco

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