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Mais atenção à previdência
14 de abril de 2013O brasileiro tomou gosto pela previdência privada justamente quando essas aplicações passam por um período de ajuste no País. Dados da Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (FenaPrevi) mostram que, em 2012, os planos aumentaram suas receitas em 31,5%. A maior variação desde 2001. Acontece que a rentabilidade desse tipo de investimento tem caído, acompanhando as reduções na taxa básica de juros do Brasil, a Selic (hoje em 7,25%). Mais preocupado com o seu futuro financeiro, o brasileiro precisa agora deixar de escolher o melhor plano de previdência privada apenas pela possibilidade de dedução na declaração anual do Imposto de Renda. Ou calculando se a parcela mensal cabe no bolso.
Taxa de administração, rentabilidade anual, ganho real, portabilidade. As expressões recheadas de economês precisam estar na ponta da língua no momento da contratação. Todas estão conectadas. Para entender o porquê, é preciso saber como funciona a remuneração de um plano de previdência privada. Hoje, aproximadamente 70% dos fundos são de renda fixa. Isso significa dizer que aplicam os recursos repassados todos os meses pelos aplicadores em investimentos com uma taxa pré-definida, diferentemente de ações de empresas, por exemplo, que podem subir ou descer conforme os humores do mercado.
Os fundos são em sua maioria atrelados aos chamados Certificados de Depósitos Interbancários (CDIs). Portanto, são remunerados através de um cálculo que leva em conta a Taxa Selic (7,25%) mais a Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP), que é de 5%. Ou seja, rendem, por ano, 12%. Como em todas as modalidades há o desconto do Imposto de Renda, em média, a rentabilidade dos fundos tem girado em torno de 6%. Se a taxa de administração cobrada for de 2%, o ganho será de modestos 4% anuais. Tendo em vista que a inflação superou o teto da meta do governo federal, chegando a 6,59% em 12 meses encerrados em março, no final de todas essas contas, a remuneração foi corroída e está negativa.
Tudo isso serve para mostrar que quanto mais baixa for a taxa de administração, menos a remuneração final será prejudicada. Há várias opções disponíveis em que sequer a taxa é cobrada (confira na arte ao lado).
"O momento é de rentabilidade baixa e o nível se manterá baixo daqui para frente. Enquanto os fundos terão que aplicar em renda variável, em fundos imobiliários ou grandes obras, os aplicadores, especialmente os da classe C, precisam se preocupar com taxa de administração e portabilidade para um plano mais vantajoso. Em negociar", sacramenta o professor Roberto Vertamatti, presidente do Conselho da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac).
Outra dica preciosa é deixar de confiar tanto nas simulações feitas na mesa do gerente. Os juros mais baixos fazem com que seja mais difícil fazer render o dinheiro. Logo, projeções de longo prazo, de mais de 15 anos passam a ser mais realistas se apontarem ganhos finais de 2% ou 3%. Vertamatti argumenta que o brasileiro ainda cultiva uma mentalidade de ter na poupança a melhor forma de guardar dinheiro. "Isso vai passar. A preocupação será em ser cada vez mais bem remunerado", acrescenta. O crescimento verificado no ano passado não encurtou a distância entre o Brasil e nações avançadas. Enquanto aqui até 18% possuem um plano de previdência privada, esse percentual pula para 50% nos EUA e União Europeia.
Outra diferença entre o Brasil e demais países com maior cultura de investimentos pessoal de longo prazo é que cinco bancos concentram 90% do mercado nacional. A falta de concorrência é ruim para o mercado. Portanto, fazer uso da portabilidade é demonstração de força para reduzir a taxa de administração ou para um fundo que tenha um perfil mais agressivo.
Fonte: Jornal do Commercio
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