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Uma ajuda que já vem tarde pela burocracia

3 de abril de 2013
Fortaleza – Em um discurso onde não foram permitidos apartes, a presidente Dilma Rousseff (PT) anunciou ontem um pacote de medidas para convivência com o semiárido. Uma ajuda que já vem tarde e ameaçada pela burocracia. Orçadas em R$ 9 bilhões, as ações do governo federal para ajudar no combate à pior seca dos últimos 50 anos foram apresentadas aos governadores presentes na 17ª Reunião do Conselho Deliberativo da Sudene, na capital cearense. 
 
Apesar de atender à maior parte das reivindicações dos gestores dos nove estados do Nordeste e de Minas Gerais, as medidas não ajudarão a resolver, de forma imediata, todos os problemas emergenciais que vêm sendo apontados pelos estados e municípios da região, que há dois anos esperavam por uma ação mais efetiva do governo federal.
 
Antes de se encontrarem com Dilma, governadores e vice-governadores nordestinos participaram de um café da manhã oferecido pelo anfitrião cearense, Cid Gomes (PSB). No encontro, que aconteceu de forma reservada no Hotel Gran Marquise, eles definiram uma pauta comum de reivindicações. Mas Dilma, em seu discurso de abertura da reunião da Sudene, antecipou-se às cobranças, anunciando um pacote que contemplava a lista de pedidos que seria apresentada por Cid, escolhido o porta-voz do grupo.
 
Dilma destacou que, graças às ações realizadas pelo PT durante os últimos 10 anos na Presidência, os nordestinos não “enfrentaram todas as perversas consequências que sempre vimos sendo retratadas na literatura, na prosa e no verso dos sanfoneiros”. Traduzindo: apesar da seca, ninguém passava fome a ponto de serem registrados saques e êxodo rural.
 
A presidente foi dura em relação a uma maior parceria entre o governo federal e o Nordeste para resolver problemas de logística. Aos estados caberia o planejamento para estocar e distribuir mais rápido a safra de grãos, em períodos de bonança. Ao defender a importância dos portos neste processo, Dilma referiu-se indiretamente ao governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), que exige tratamento diferenciado para Suape na Medida Provisória que dá à União o poder de gerenciar todos os terminais marítimos. Eduardo Campos não ficou muito convencido com o pacote anunciado pela presidente. “As propostas continuam as mesmas, o que avançou mesmo foi a seca. É preciso olhar com atenção ao produtor, ao habitante do semiárido. É preciso olhar como vamos recompor essa economia devastada com esta seca”, disse.
 
Saiba mais
 
Ações anunciadas por Dilma
 
Operação Carro-Pipa
Entrega de 6.170 novos veículos (30% a mais)
Investimento: R$ 71,5 milhões
 
Perfuração e recuperação de poços
20 novos poços profundos
Investimento: R$ 40 milhões
1,1 mil novos poços
1,4 poços recuperados
Investimento: R$ 93,3 milhões
 
Garantia-Safra
Manter benefício até o fim da estiagem
Investimento: R$ 85 milhões mensais
 
Bolsa Estiagem
Manter benefício até o fim da estiagem
Investimento: R$ 87,7 milhões mensais
 
Venda de milho 
Ao valor de R$ 18,12 até 3 toneladas 
e R$ 21 de 3 a 6 toneladas
340 mil toneladas para abril e maio
Obs: os estados deverão participar da distribuição 
por meio dos portos públicos e privados
 
Ampliação da 
linha de crédito
R$ 350 milhões a mais
 
Renegociação da dívida
Prorrogação por mais dez anos
Início do pagamento: 2016 para agricultores familiares e 2015 para agricultores empresariais
Obs: Só para agricultores de municípios em estado de emergência reconhecido pelo Ministério da Integração Nacional
 
PAC equipamentos
Entrega de uma unidade de retroescavadeira, motoniveladora, caminhão-caçamba, caminhão-pipa e pá carregadora a 1.415 municípios 
Investimento: R$ 2,1 bilhões 

Fonte: Diario de Pernambuco

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