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PIB fraco mantém taxa básica de juros em 7,25%

7 de março de 2013

SÃO PAULO – O Banco Central manteve hoje, em decisão unânime, o juro básico da economia brasileira, a taxa Selic, em 7,25% ao ano. Foi a terceira reunião seguida do Copom (Comitê de Política Monetária) em que a taxa – que está no menor nível da história – foi mantida.

O último corte, de 7,5% para 7,25%, ocorreu em outubro de 2012. Desde agosto de 2011, a Selic caiu 5,25 pontos percentuais, em dez reduções consecutivas. O comitê irá acompanhar a evolução do cenário macroeconômico até sua próxima reunião, para então definir os próximos passos na sua estratégia de política monetária, informou o órgão.
 
A decisão confirmou a principal aposta de economistas, que ganhou mais força após a divulgação do fraco desempenho da economia brasileira no ano passado – com expansão de 0,9% em 2012, abaixo das estimativas. Além do PIB fraco, pressões políticas do governo por juros baixos também foram apontadas por especialistas para justificar a manutenção da Selic no patamar atual, apesar da alta da inflação.
 
Prevalece no governo a visão de que a inflação irá retomar a queda no segundo semestre, quando se espera que os efeitos da desvalorização do real em relação ao dólar percam força, diz Luciano Rostagno, estrategista-chefe do Banco WestLB do Brasil.
 
A presidente Dilma já discursou em público a favor da manutenção do juro por um longo período de tempo, acrescenta Elad Revi, analista da Spinelli Corretora.
 
Um aumento de juros, porém, caso a inflação não ceda, não é descartado.
 
Na avaliação de Samy Dana, professor da Fundação Getulio Vargas (FGV), caso a inflação pressione, o Copom poderá subir a Selic já na próxima reunião, em abril.
 
A inflação neste ano deve ficar em 5,8%, bem próxima do teto da meta estipulada pelo governo, que é de 6,5%.
 
Alcides Leite, economista e professor da Trevisan Escola de Negócios, afirma que o governo está aceitando uma inflação mais alta, desde que ela não supere o teto da meta. Para o especialista, o juro básico poderá ser mantido até o fim do ano.
 
Com a Selic em 7,25% ao ano, a taxa média de juros a pessoas físicas ficou, em janeiro, em 88,61% ao ano (ou 5,43% ao mês), permanecendo no menor nível desde o início da série histórica em 1995 – o que já havia sido observado em dezembro -, segundo dados da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac).
 
Em julho de 2011, quando a Selic estava em 12,50% ao ano, esse juro médio ao consumidor era de 121,21% ao ano. Com a manutenção da Selic, o juro real do Brasil passa a ser de 1% ao ano, descontada a inflação dos últimos 12 meses, ou 1,5% ao ano, descontada a inflação projetada para os próximos 12 meses, segundo dados do portal MoneYou.

Fonte: Jornal do Commercio

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