BRASÍLIA e RECIFE – O aumento do percentual obrigatório de adição de álcool anidro combustível à gasolina, de 20% para 25%, valerá a partir de 1º de maio, de acordo com a edição ontem do Diário Oficial da União (DOU). A elevação do percentual de álcool anidro à gasolina foi uma recomendação do Conselho Interministerial do Açúcar e do álcool (Cima).
A mudança já havia sido divulgada pelo governo um dia após o anúncio do aumento do preço dos combustíveis. A medida foi uma das alternativas encontradas para tentar amenizar o impacto do reajuste dos preços da gasolina ao consumidor e sobre os índices de inflação. Além disso, a mudança deve aliviar a necessidade de importação de gasolina.
Além da portaria do ministério da Agricultura, que determina o aumento do percentual de álcool na gasolina, a resolução do Cima destaca que a medida considerou a "necessidade de assegurar o abastecimento adequado de combustíveis em todo o território brasileiro".
De acordo com o presidente do Sindicato da Indústria e do Álcool (Sindaçúcar), Renato Cunha, o preço da gasolina está hoje no nível mais baixo de acordo com os critérios da Petrobras. A mudança do percentual de anidro não representará, portanto, uma queda do valor praticado na bomba. Mas vai colaborar para que o preço não volte a subir novamente.
"É uma medida que vem sendo perseguida há tempo pelo setor. Além da questão ambiental, a mudança também será capaz de trazer mais previsibilidade ao mercado", analisa. Cunha afirma ainda que, para o setor sucroalcooleiro, a partir de maio, o mercado crescerá, aumentando, assim, a liquidez e as vendas. A previsão é que o consumo de anidro passe de 9,5 bilhões de litros ao ano para 11 bilhões.
Ele lembra que, no entanto, a medida não resolve o problema do setor, pois o álcool hidratado ainda tem muita dificuldade de competição porque envolve muitos tributos. A artificialidade do preço do derivado do pretróleo termina prejudicando os produtores de álcool, que não conseguem produzir com um preço que concorra com os valores subsidiados da gasolina.
Já a presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), Elizabeth Farina, afirmou que o anúncio do aumento da mistura a partir de 1º de maio, "traz tranquilidade para o setor sucroenergético nacional". Em nota, ela explicou que as empresas ganham condições para planejarem sua produção e comercialização ao longo da safra 2013/14.
De acordo com a entidade, o anúncio permite que a Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) defina os níveis de contratação de etanol anidro pelas distribuidoras junto às empresas produtoras. Assim, ficam garantidos os volumes de estoque de etanol anidro para manter estável a oferta durante a entressafra 2013/2014, que ocorre entre dezembro deste ano e março de 2014.
Fonte: Jornal do Commercio