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Arpe anuncia aumento da água

19 de fevereiro de 2013
Em uma estratégia influenciada pelo jogo político, a Agência de Regulação de Pernambuco (Arpe) anunciou ontem um aumento de 7,98% nas contas de água de todo o Estado, a título de revisão tarifária. A decisão contraria a expectativa de queda na tarifa, prometida pelo governo desde que a presidente Dilma Rousseff anunciou a redução de 18% na energia. O percentual de alta divulgado agora pela Arpe, no entanto, não é definitivo e ficará menor. A agência diz que o número será reduzido em até 10 dias, mas não informou de quanto será o desconto. O índice final será aplicado em março e cobrado a partir da fatura de abril.
 
Pelos cálculos do presidente da Compesa, Roberto Tavares, o reajuste definitivo deve ficar em 5,98%. Na prática, a água vai subir do mesmo jeito, com a diferença de que a alta será menor do que a anunciada ontem. O aumento é resultado de uma revisão tarifária, que ocorre a cada quatro anos. Quando ela é feita, não há incidência dos reajustes anuais, que são a mera reposição da inflação.
 
Na revisão tarifária, a conta é diferente. Despesas como pessoal próprio e terceirizado, materiais, produtos químicos e impostos respondem por 80,79% do índice. A energia é responsável por 19,21% e o restante é dividido entre dois indicadores diferentes da inflação, o IPCA e o IGP-M. O diretor de Regulação Econômico-Financeira da Arpe, Hélio Lopes Carvalho, diz que a conta de água tem uma defasagem de 15 meses sem aumento. O último foi em novembro de 2011.
 
"Em novembro de 2012 a Compesa estava fazendo uma campanha de recuperação de dívidas e achou melhor não praticar o aumento", explicou Hélio. Pouco após o anúncio ter sido noticiada no JC Online, vários internautas já criticavam o governo por ter prometido a queda na conta de água e agora anunciar o aumento.
 
O presidente da Compesa, Roberto Tavares, diz que o contexto em que houve o anúncio da queda era de críticas sobre a parceria público-privada (PPP) do saneamento, que após muita polêmica teve o contrato assinado semana passada com a concessionária Foz do Atlântico, sociedade da Lidermac e da Foz do Brasil, braço de saneamento da Odebrecht.
 
Na campanha eleitoral, o então candidato Humberto Costa (PT), oponente do hoje prefeito Geraldo Júlio – do PSB, partido presidido pelo governador Eduardo Campos -, dizia que a PPP traria aumento nas contas de água em 2013. "O que foi que a gente disse? ?Quando houver redução da energia elétrica, vai baixar a tarifa.? Dá no mesmo reduzir antes ou depois do aumento. Reposição de inflação não é aumento", argumenta o presidente da Compesa.
 
De acordo com ele, as contas para o repasse da queda do custo da energia são mais complexas do que parecem. O efeito da redução começará a contar, para a Compesa, a partir de 2 de abril. Até dezembro, serão gastos R$ 23 milhões a menos com energia pela companhia, componente que tem um peso de 19,21% na conta de água. Assim, a Arpe vai contabilizar o quanto isso pesará a menos nas contas dos consumidores.
 
"O governador decidiu repassar integralmente a redução da energia. Pedi para a nossa equipe fazer uma estimativa. Pelos nossos cálculos, eu diria que o aumento deve cair dois pontos percentuais", diz Tavares. 

Fonte: Jornal do Commercio

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