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Empreste ao governo. E lucre

27 de janeiro de 2013
Em 2012 a rentabilidade da poupança foi a pior dos últimos 10 anos, rendendo aos poupadores 0,6%, descontada a inflação. Essa nova realidade, na qual a caderneta deixou de ser um porto seguro para o dinheiro aplicado e num cenário em que a queda de juros também prejudica os rendimentos, o brasileiro passou a procurar os títulos do Tesouro Nacional, por meio do Tesouro Direto. É o programa do governo para vender títulos a pessoas físicas por meio da internet. No ano passado, 326 mil pessoas investiram através do canal, um número 20% maior em relação a 2011. Além disso, os investidores deixaram mais dinheiro, aplicando R$ 9,3 bilhões, um percentual 30% maior, segundo o gerente de relações institucionais do Tesouro Direto, André Proite.
 
Consultores de investimentos consideram natural a maior procura pela modalidade – emprestar dinheiro ao governo para receber com juros no futuro. "Com a taxa de juros (Selic) a 7,25% ao ano, é a primeira vez que a renda fixa terá juro real negativo (CDB e CDI pagam 6,9%). Então, qualquer coisa que eu ganhe menos que 7,25% tem um custo. Além disso, o governo é o melhor devedor pois tem um risco baixo de dar calote", salienta Eduardo Malheiros, da Futura Invest. A variação do IGP-M nos últimos 12 meses foi de 6,96% e o IPCA, 5,53%.
 
Com o cenário de pressão inflacionária – estima-se 6% para 2012 – e juros baixos, o aplicador tem de ficar atento em como investir no Tesouro Direto. Muitos dos títulos disponíveis poderão dar retorno negativo.
 
"A maioria tem em carteira títulos LTN (Letras do Tesouro Nacional), que são atrelados à Selic, que não é mais interessante", adverte Malheiros. Depois que se tira o Imposto de Renda, a rentabilidade fica menor que a inflação. "Uma opção para esse momento é recorrer aos títulos NTN-B (notas do tesouro nacional série B), que são atrelados ao IPCA", informa. Há disponíveis títulos NTN-B, com vencimento em 2019, que pagam o IPCA mais 3,12%.
 
Para operar é necessário se cadastrar numa das corretoras que o próprio Tesouro Direto indica. Depois de habilitada, a pessoa poderá operar suas compras pelo site. A maioria dos investidores têm aplicações de até R$ 5 mil.
 
O consultor Leandro Lima, da Finacap, lembra que antes da criação do Tesouro Direto em 2002, as pessoas físicas praticamente só podiam investir em títulos públicos indiretamente através de fundos. "O Tesouro Direto criou um canal permanente e seguro para a compra de títulos públicos", salienta. Para ele as melhores opções são os papéis com vencimentos mais longos, que pagam os maiores retornos. As NTN-Bs com vencimento em 2035 pagam IPCA + 3,91). "São um bom investimento para as pessoas físicas desde que o investidor permaneça por pelo menos 2 anos com o título (para pegar uma alíquota de IR menor: 15%)."  

Fonte: Jornal do Commercio

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