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Aposentadoria intranquila
2 de novembro de 2012José Henrique da Silva trabalhou durante 33 anos na Varig. Era conferente e despachante. Tinha a certeza de uma aposentadoria tranquila. Afinal, além de contribuir para a previdência oficial, depositava todo os meses parte do salário no Aerus – o fundo de pensão das companhias Varig e Transbrasil. Até que em 2006 o Aerus sofreu interdição extrajudicial e entrou em processo de liquidação. E a renda extra começou a minguar. Hoje, ao invés de receber R$ 2 mil de complemento, ganha apenas R$ 140 para somar aos R$ 1,8 mil que recebe do INSS. É com esse dinheiro que ele e a esposa, Maria de Lourdes, têm de se virar por mês.
“Só de plano de saúde a gente paga R$ 800. Se soubesse que iria acontecer isso, a gente tinha colocado o dinheiro em uma poupança ou comprado um imóvel”, lamenta Lourdes, 72. Ontem, o casal esteve no Aeroporto Internacional do Recife/Guararapes. Foi protestar com outros aposentados e pensionistas do Aerus. Eles querem que o governo cumpra a decisão da Justiça de complementar os benefícios do fundo, além de pagar indenizações. Em média, cada aposentado contribuiu com 10% do salário nominal por mês para o fundo. Hoje, eles recebem benefícios até 92% menores.
Em julho passado, a 14ª Vara Federal de Brasília reconheceu que a União deveria responder pela quebra do Aerus. De acordo com a sentença, o governo federal deveria ter fiscalizado a saúde de fundo de pensões através da antiga Secretaria de Previdência Complementar (SPC) – hoje Superintendência Nacional de Previdência Complementar (Previc). A folha de pagamento do Aerus é estimada em R$ 22 milhões mensais. “Quando me aposentei, recebia do Aerus R$ 5,4 mil. Hoje recebo R$ 474 do fundo”, conta Carlos Alberto Bezerra, 77, que foi empregado da Varig por “35 anos, três meses e 19 dias”.
Bezerra recebe uma aposentadoria de R$ 2,9 mil pelo INSS. Diz que, por conta da redução do benefício, deixou de viajar e de comprar uma casa. De acordo com Avanildo Maranhão, representante da associação dos aposentados e pensionistas do Aerus em Pernambuco, existem aproximadamente 10 mil pessoas nesta situação em todo o país. No estado são cerca de 200. “Uns dez já morreram aqui e 750 no Brasil. É muito difícil”, calcula Maranhão, que era gerente regional Norte/Nordeste da Fundação Rubem Berta, passou anos pagando R$ 600 ao fundo e recebia R$ 6,8 mil de complemento. Atualmente são R$ 932 por mês.
“O que está acontecendo com esses idosos é uma vergonha para o nosso país. Mas esperamos que a presidente Dilma se sensibilize e dê uma solução para o caso Aerus”, diz em nota a diretora da Federação Nacional dos Trabalhadores em Aviação Civil, Graziella Baggio. Além da manifestação no Recife, os aposentados também protestaram nos aeroportos de Congonhas (São Paulo), Santos Dumont (Rio de Janeiro), Salgado Filho (Porto Alegre) e Afonso Pena (Curitiba). Em Congonhas, os aposentados chegaram a queimar um boneco de Judas caracterizado como o advogado-geral da União, Luís Inácio Adams.
Fonte: Diario de Pernambuco
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