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NE: Secretários fecham proposta da reforma

8 de junho de 2011

Com
a preocupação de preservar a vinda de investidores, a ampliação
de renda, e o aumento no número de empregos no Nordeste; os
secretários da Fazenda das unidades federativas da região chegaram
a um acordo, depois de um dia inteiro de conversações, durante
reunião no hotel Gran Marquise, em Fortaleza, acerca dos itens da
reforma tributária e cobrança de impostos do comércio
eletrônico.

Além de ratificar o que ficou acertado no
Protocolo 21 do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz),
eles fecharam a proposta do destino puro, ou seja, cobrar 17% do
Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) apenas
no estado de destino como resposta ao que está sendo colocado pela
reforma tributária. Mas há outra sugestão caso a medida não tenha
unanimidade em todo o Brasil, que é cobrar 7% onde há menor renda
per capita e 2% para os estados mais ricos. “No princípio da
cobrança do ICMS de mercadorias normais, São Paulo quer 4% para
ficar na origem. Nós estamos propondo 7% daqui pra lá e 2% do Sul
pra cá. Quando eu digo pra cá são os estados do Nordeste e do
Norte também”, confirmou o secretário da Fazenda (Sefaz) do
Ceará, Mauro Filho.

No fim do dia, os secretários redigiram
um documento com o resultado do que foi discutido no encontro para
ser entregue aos governadores nordestinos, que estarão juntos, na
próxima sexta-feira, 10, no Palácio da Abolição, também na
Capital cearense, para debater sobre o tema. De acordo com o
presidente do Confaz, Carlos Martins, ficou pactuado entre os estados
que a reforma tributária é necessária, porém, sem que haja
prejuízos para a região nordestina. Somos a favor, mas
evidentemente é preciso que haja uma política de desenvolvimento
regional que faça com que a reforma tributária não seja um
elemento de reconcentração de investimentos no Sul do
País”.

Segundo Carlos, o temor é de que ocorra uma
desaceleração na criação de postos de trabalho e captação de
empreendimentos por conta de uma possível alteração na migração
da origem para o destino em relação das alíquotas interestaduais.
“Qualquer mudança precisa estar acompanhada de recursos para
que a gente possa manter os investimentos atuais, atrair novos, de
forma que a gente possa continuar gerando emprego e renda, senão nós
vamos voltar 20 ou 30 anos atrás onde tudo estava localizado no Sul
e Sudeste do País”, disse.

Diferencial
de alíquota

Conforme
o titular da Sefaz-CE, Mauro Filho, ficou definida a necessidade de
manter o diferencial de percentuais de cobrança entre os estados do
Norte e Nordeste para o eixo Sul e Sudeste. “É muito grave esse
negócio da equalização de alíquotas. O que nós concordamos é de
alíquota única para produtos importados”, declarou.

Dívida
Pública

De
acordo com ele, outro ponto importante estudado foi a questão da
mudança do indexador da dívida pública, que deveria mudar do atual
IGPDI para ser corrigido pelo IPCA somado de 2%. “Porque, hoje,
os estados estão financiando a União. O que nós pagamos é maior
do que o governo paga pra poder captar títulos pra financiar a
dívida dos estados. Não faz sentido, agora, os estados financiarem
a União”, contou Mauro.

Para ele, ficou acordada a
criação do Fundo de Desenvolvimento Regional para apoiar os
estados. “Os recursos do FDR não podem ser só orçamentários.
Se depender só do orçamento, um ano é bom no outro cai. Fica muito
inseguro, é só ver o exemplo da Lei Kandir”.

O
que ficou decidido

Destino
puro: cobrar 17% do ICMS apenas no Estado de destino da mercadoria

Ou 7% para Estados com menor renda per capita e 2% para os
mais desenvolvidos

Fundo de Desenvolvimento Regional para
cobrir perdas

Nas compras pela internet, 5% do ICMS para os
Estados que assinaram Protocolo 21

10% do ICMS para os demais
Estados que não assinaram o acordo do Confaz

Fixar mesmo
percentual de cobrança para todos os Estados nos produtos
importados

GARANTIA
É ESPERADA
Estados
convergem sobre compensação

Antes
de começar a reunião de secretários da Fazenda do Nordeste, para
discutir uma proposta conjunta da região em torno da reforma
tributária, embora prevalecesse a intenção de que os estados
fossem compensados por eventuais perdas, estes ainda divergiam quanto
à uniformização da alíquota do Imposto sobre Circulação de
Mercadorias e Serviços (ICMS).

De acordo com o secretário da
Fazenda da Bahia e coordenador do Conselho de Política Fazendária
(Confaz), Carlos Martins, os estados nordestinos, de modo geral,
estão “alinhados” no que se refere às propostas ligadas à
reforma tributária.

Reposição

Conforme
Martins, entre os temas debatidos na reunião, há a criação de um
fundo que reponha as perdas dos estados com as mudanças propostas
pelo Governo Federal. “Ao migrar da origem para o destino, os
estados mais desenvolvidos da região, Ceará, Bahia, Pernambuco e
Maranhão tendem a perder recursos. A primeira discussão é essa”,
declarou.

Para assegurar que os recursos destinados ao fundo
sejam efetivamente repassados aos estados nordestinos, complementou,
os governadores deverão exigir da União garantia de não
contingenciamento e “garantia constitucional”.

Por
sua vez, o secretário da Fazenda de Sergipe, João Andrade, afirmou
que a proposta de seu estado é de que seja implantada uma alíquota
única do ICMS para todas as unidades da federação. Outro pontos a
serem discutidos, frisou Andrade, são os impostos ligados ao
comércio eletrônico e os novos fatores de partilha do Fundo de
Participação dos Estados.

ILO
SANTIAGO JR.
REPÓRTER

Preocupação
é com o futuro do Nordeste

Para
a diminuição da alíquota interestadual é preciso de um fato
compensador concreto, porque o único instrumento que os Estados têm
para atrair indústrias e investimentos para o Nordeste é o
benefício fiscal. A partir do momento em que você zera a diferença
na alíquota interestadual, os estados do nordeste ficam
absolutamente sem nenhum tipo de mecanismo para atrair as empresas, e
eu não consegui ver até o momento nenhuma sinalização concreta de
que tenhamos essa garantia.

Rubens
Aquino Lins
Secretário
da Receita da PB

Os pontos da reforma têm de ser tratados em
instrumentos com o mesmo valor e a mesma agilidade. Não dá para um
ser, por exemplo, proposta de emenda constitucional e outro ser lei
complementar. Tem tudo que ser proposta de emenda à constituição
para garantir a efetividade e a eficácia desses instrumentos.
Evidentemente que nós defendemos a migração da origem para o
destino porque beneficia o consumidor, pois somos estados
consumidores também. Agora, é preciso garantir que não cause
perdas.

Carlos
Martins
Secretário
da Fazenda da BA

É
importante a gente trabalhar numa proposta para a região. É
interessante chegarmos a um consenso em torno de uma alíquota única
para o Nordeste, que possibilite que todos os estados saiam
beneficiados com uma tributação justa em relação ao que é hoje.
Deve-se também evitar que a reforma gere “desindustrialização”
na região. “É importante que a União também forme o fundo de
compensação que garanta uma governança nos próximos anos, para
que nós tenhamos uma transição tranquila.

Paulo
Câmara
Secretário da Fazenda de PE

Essa
forma de atrair as empresas que os estados têm hoje é predatória,
porque os estados brigam entre si e nessa briga perdemos receita. Os
incentivos devem ser feitos com tributos federais que permitam o
desenvolvimento da região sem sacrificar ainda mais as combalidas
receitas estaduais. Estamos trabalhando com a proposta de 4% da
alíquota para todo o País. Concordamos com o fim da guerra fiscal,
mas ela não pode acabar com os empregos que são gerados.

João
Andrade
Secretário
da Fazenda de SE

COM
ALTERAÇÕES
CE
perderia R$ 600 mi por ano do FPE

Mudança
no Fundo de Participação dos Estados também é uma das fontes de
preocupação do Nordeste

As
mudanças na divisão dos recursos do Fundo de Participação dos
Estados (FPE), previstas para ocorrerem até o fim de 2012 e para
entrar em vigor no ano seguinte, estão entre as maiores preocupações
dos estados nordestinos. Principalmente, com o temor de que as
unidades federadas da região saiam perdendo com as alterações do
rateio. De acordo com o secretário da Fazenda do Ceará, Mauro
Filho, a estimativa é de que o Estado tenha uma perda de R$ 600
milhões anualmente com as novas regras.

“Isso também
vai ter impacto sobre todos os outros estados do Norte e Nordeste.
Por isso, temos que apresentar uma proposta formal, da região, para
levar aos governadores e para ser encaminhada ao ministro Guido
Mantega”, informou o titular da Fazenda Estadual.

No
início do ano passado, o Supremo Tribunal Federal (STF) declarou a
inconstitucionalidade do artigo 2º da Lei Complementar 62/89, que
define os critérios de divisão do FPE. Isso ocorreu porque as
regras sobre a repartição da receita tributária deveriam ter
vigorado apenas durante os exercícios de 1990 a 1992.

Após
esse período, o censo do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística) deveria orientar os critérios, o que não ocorreu, e
os coeficientes para a divisão, como superfície territorial,
população e renda per capita dos Estados foram mantidos, mesmo após
20 anos.

As alterações, entretanto, no argumento dos estados
contrários ao modelo atual, ainda devem conter o objetivo do Fundo
de reduzir as desigualdades econômicas e sociais dos
estados.

“Agora, eles querem incluir mil coisas, como o
cerrado e a questão indígena, mas temos que ver de que forma esses
critérios vão impactar em uma redução bruta dos repasses.

Hoje,
é diretamente proporcional à população e inversamente
proporcional à renda per capita, e eles querem mudar esse critério”,
explicou o secretário Mauro Filho.

Inconstitucionalidade

O
Supremo decretou a inconstitucionalidade do artigo motivado por
quatro Ações Diretas de Inconstitucionalidade (ADI) impetradas
pelos estados do Rio Grande do Sul, Mato Grosso, Goiás e Mato Grosso
do Sul.

O argumento das unidades federativas é de que o texto
da lei complementar tinha como base o contexto socioeconômico do fim
dos anos de 1980 e início da década seguinte, que após esse tempo
já pode ter sofrido modificações relevantes.

Os critérios
de obtenção dos recursos do FPE, entretanto, não devem mudar,
mantendo-se constituído por 21,5% do Imposto de Renda (IR) e 21,5%
do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI).

Incentivos
fiscais e ICMS

Para
o secretário, a proposta do governo de equalizar a alíquota
interestadual de ICMS diminui o impacto dos incentivos fiscais, “e
isso significa o fechamento de todas as indústrias que vieram do Sul
do País para os estados do Norte, Nordeste e Centro-Oeste, o que é
um absurdo no meu modo de entender”. “Nós não podemos
fazer política econômica através de um poder que não seja o
legislador, que de fato determina essas ações”.

Fonte: Diario do Nordeste

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