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FMI alerta Brasil sobre intervenções no câmbio
7 de outubro de 2010Washington e Pequim – O economista-chefe do Fundo Monetário Internacional (FMI), Olivier Blanchard, alertou o Brasil que tentar lutar contra os fluxos de capital externo com acúmulo de reservas é uma medida provavelmente autodestrutiva. “Os países emergentes devem abster-se de adotar medidas extraordinárias para frear a valorização de suas moedas, um fenômeno que faz parte inevitável do apoio mútuo em nível mundial para sair da crise”, considerou Blanchard.
“No caso do Brasil, levando em conta as circunstâncias atuais, esses fluxos (de entrada de capital) correm o risco de serem permanentes, portanto combatê-los mediante um acúmulo de reservas é provavelmente autodestrutivo”, afirmou.
O governo brasileiro decidiu duplicar o imposto sobre o capital estrangeiro destinado ao mercado de renda fixa para lutar contra a revalorização de sua moeda, o real. O Fundo defende uma valorização das moedas dos países que estão crescendo mais, recordou Blanchard, apesar de se referir especialmente à China.
“É imperativo evitar divergências, ou como se tem denominado, uma guerra de divisas”, afirmou. “O reequilíbrio internacional exige uma valorização das moedas de inúmeras economias emergentes em relação às de inúmeros países desenvolvidos. Na primeira categoria, temos claramente o iuan e um certo número de moedas asiáticas e, na segunda categoria, claramente o dólar”.
Para o economista-chefe do FMI, os ajustes cambiais ficam mais difíceis se um país fixa sua moeda e dá início a “guerras cambiais”. “Se um país decide atrelar sua moeda a outra ou então evita que ela se ajuste, fica muito mais difícil para outros países ajustarem as suas taxas de câmbio. É aí que a cooperação é essencial, para que todas possam se valorizar da maneira apropriada e não tenhamos lutas ou guerras cambiais”, disse Blanchard.
Tesouro – Menos de 48 horas depois de elevar a alíquota do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) para aplicações de investidores estrangeiros em renda fixa, o governo lançou mão ontem de mais uma medida para ajudar a segurar aqueda do dólar frente ao real. O Tesouro Nacional poderá comprar antecipadamente os dólares necessários ao pagamento dos vencimentos da dívida pública externa dos próximos quatro anos. A medida também alcança as empresas que têm compromissos no exterior.
Em reunião extraordinária, o Conselho Monetário Nacional (CMN) decidiu dobrar o prazo para a compra antecipada de moeda estrangeira, que subiu de 750 dias para 1500 dias. A medida aumenta em US$ 10,7 bilhões o potencial de compras de dólares do Tesouro no mercado à vista de câmbio. As aquisições de dólares são feitas para o Tesouro pelo Banco do Brasil, que entra comprando no mercado de câmbio como se estivesse fazendo uma operação para um investidor qualquer.
A avaliação é de que, embora o volume potencial de compras antecipadas não seja elevado em comparação ao tamanho do mercado de câmbio brasileiro, o efeito “surpresa” do Tesouro como um grande player (jogador) ajuda a controlar uma mudança mais forte da taxa de câmbio. Apesar de executadas pelo BB, o comando para as compras de dólares é dado pelo Tesouro.
Fonte: Diário de Pernambuco
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