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A saúde no consultório do e-fisco
15 de maio de 2010JC NEGÓCIOS
No Estado que administra a segunda maior rede de hospitais vinculados ao Sistema Único de Saúde (SUS) do Brasil e cuja meta de implantar mais três virou projeto de governo, o diretor do maior hospital de emergência do Nordeste (Restauração) formou-se em odontologia e a do maior hospital regional do Estado (Caruaru) graduou-se em enfermagem. Nada de extraordinário, uma vez que o secretário de Saúde é auditor fiscal, com experiência na PricewaterhouseCoopers e até ajudou a escrever o programa de incentivos fiscais ao Estaleiro Atlântico Sul.
Pode parecer inusitado, mas quando deixou a Secretaria da Saúde, o vice-governador João Lyra deixou na casa uma equipe tão diferente que os médicos só ocupam metade das áreas fins ao lado de um auditor fiscal, outro do TCU, além de um grupo de gestores recrutados por consultoria externa para cuidar apenas de gestão e finanças. Uma revolução numa Secretaria que desde a fundação nunca se modernizou, enquanto cresceu na abrangência ao usuário.
Agora instalado na nova sede, no bairro do Bongi, que custou R$ 15 milhões, Frederico Amâncio lembra que foi para lá como assessor do vice-governador João Lyra com a missão de definir e implantar um modelo de gestão que na Saúde simplesmente não existia. Quase três anos depois e com ele implantado na sede e nos seis grandes hospitais, Amâncio se prepara para liga-los como unidade gestora ao e-fisco, o sistema de gestão da Secretaria da Fazenda e para licitar um novo sistema de gestão para ampliar o modelo administrativo da Secretaria, que programa investir este ano R$ 280 milhões.
» Vencendo a rejeição às mudanças
Frederico Amâncio reconhece que a mudança nos processos de gestão ainda não é percebida de maneira firme pela população. E admite que a implantação de controles mais rígidos provocou reações. E que a rejeição mais forte se deu quando chegaram os seis grandes hospitais, que replicam o novo modelo de gestão da Secretaria. Mas as vantagens e a melhoria das rotinas foram tão radicais que as equipes se integram rápido e se motivam. Hoje, diz o secretário, que agora divide o comando da pasta com seis outros secretários-executivos, já temos como medir e cobrar resultados.
» Ajuda do INDG
Como na SDS, a Saúde teve ajuda do Instituto de Desenvolvimento Gerencial (INDG), que está trabalha na atualização gerencial do governo. Ela recrutou gestores para os grandes hospitais da rede, responsáveis por metade dos serviços prestados.
» Casos graves
Só o HR custa R$ 100 milhões/ano e é operado por 3.700 funcionários. Após 40 anos, diz Amâncio, estamos reformando o HR para direcionar casos de menor complexidade para uma nova emergência com 80 leitos. Para a emergência geral casos graves.
» Compra legal
A formação de Amâncio como auditor parece ter levado para a Saúde maior consciência sobre o uso das ferramentas de gestão e redução de custos. Conseguimos abastecer as farmácias, brinca ele, revelando que hoje 92% das compras são via pregão e só 8% emergenciais. Em 2007, foram 13%.
Fonte: Jornal do Commercio
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