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Grupo é preso por sonegação

22 de janeiro de 2010

 

Sete pessoas foram presas ontem, acusadas de participar de um esquema de sonegação de impostos e adulteração de combustíveis que teria agido em postos localizados na Região Metropolitana do Recife e na Zona da Mata. A operação foi comandada pela Delegacia de Prevenção e Repressão à Sonegação Fiscal, e as investigações começaram em julho de 2009. De acordo com o delegado Francisco Rodrigues, o grupo agiria sob o comando do empresário Leonardo Miranda de Melo, preso anteontem.

Melo já havia sido detido em outras duas ocasiões, sob a mesma acusação. A última delas, em julho do ano passado. Mas ele acabou solto cinco meses depois, ao obter habeas corpus. Desta vez, a polícia civil acredita ter acusações suficientes para manter o empresário detido. De acordo com Rodrigues, haveria uma dívida de cerda R$ 1,3 milhão com a Fazenda estadual, somente relativa à sonegação do Imposto sobre Circulação de Mercadoria e Serviços (ICMS).

“Apesar disso, achamos que já foi desviado por Leonardo Miranda de Melo quase R$ 5 milhões”, afirmou o delegado. De acordo com ele, o empresário teria aberto oito postos desde 2005, em cinco municípios diferentes: Recife, Jaboatão dos Guararapes, Paulista, Vitória de Santo Antão e Itaquetinga. Atualmente, ele estaria tentando abrir dois novos postos, sendo um na Avenida Norte, no Recife, e outro na avenida Presidente Kennedy, em Olinda. Ambos seriam no nome de Genildo Florentino Teixeira, uma das pessoas presas ontem, acusado de ser o “laranja” de Melo nesses empreendimentos.

Em todos esses estabelecimentos, a Polícia acusa o empresário de ter atuado de maneira semelhante. “O álcool era comprado em usinas de cana-de-açúcar e levado diretamente aos postos, sem passar pela Fazenda estadual, e evitando a tributação. Lá, ele era vendido e até misturado na gasolina, em um teor de até 60% (o máximo permitido pela legislação é de 25%). As pessoas compravam álcool achando que estavam pagando por gasolina”, explicou Rodrigues.

Ainda de acordo com o delegado, os postos tinham tanques de combustível clandestinos instalados no solo. “Lá, era depositado o álcool adulterado, que chegava às bombas. Mas havia uma válvula que era fechada quando a fiscalização da ANP (Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) chegava”, disse o delegado, acrescentando que a polícia apreendeu um carro roubado em posse de Melo.

Além dos sete acusados, que teriam trabalhado nos postos de Melo como gerentes, seguranças ou office-boys, os policiais prenderam também um tenente-coronel da reserva da Polícia Militar. Ele teria sido encontrado dirigindo um carro roubado, que teria sido vendido por Leonardo Miranda de Melo. Apesar disso, segundo a polícia, ele não teria participação direta nas atividades do grupo acusado de alterar combustíveis e sonegar impostos.

Esta não é a primeira vez que um caso envolvendo o empresário chama a atenção. No início de 2005, Melo foi o autor de uma denúncia de cartelização no setor de combustíveis no estado. Ontem, a reportagem tentou entrar em contato com os advogados do empresário, mas não conseguiu localizá-los.

Fonte: Diário de Pernambuco

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