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Sindicato de combustível aperta cerco à adulteração

16 de dezembro de 2009

O governo do estado e o Sindicato do Comércio Varejista de Derivados do Petróleo de Pernambuco (Sindicombustíveis-PE) vão apertar o cerco aos postos que praticarem sonegação e adulteração de combustíveis. Dois projetos podem mudar a legislação que pune os estabelecimentos reincidentes nessa prática, a partir do primeiro semestre do próximo ano, com o cancelamento da inscrição estadual e a perda do alvará de funcionamento.

O primeiro projeto, de autoria do executivo estadual, será enviado à Assembleia Legislativa em fevereiro. Deverá ser implantado através da inclusão de um novo artigo na Lei Estadual de Penalidades. A expectativa é de que seja aprovado ainda no primeiro semestre deste ano. A intenção é cassar, por cinco anos, a inscrição estadual dos postos que forem flagrados pela segunda vez pelos fiscais da Secretaria da Fazenda praticando sonegação de impostos ou venda de combustível adulterado. Com isso, o estabelecimento punido não poderá ser reaberto apenas com o pagamento da multa.

O outro projeto estáem tramitação na Câmara dos Vereadores do Recife, e também existe a perspectiva de entrar em vigor no primeiro semestre de 2010. Por sua vez, pune o posto reincidente com a perda do alvará de funcionamento, sem o qual não terá o registro na Agência Nacional do Petróleo (ANP) para vender o produto. Juntos, ambos visam a coibir as duas práticas, consideradas o principal problema para o setor.

“Segundo um levantamento da ANP, entre 20% e 30% do combustível vendido no Brasil atualmente não possuem nota fiscal. Lutar por um mercado legal, ético, é atualmente o foco da atuação do sindicato. Porque a sonegação é ruim para o estado, que perde a contribuição, para o consumidor e para o mercado”, afirmou o presidente do Sindicombustíveis, José Afonso Nóbrega.

Além dos dois projetos já encaminhados, o Sindicombustíveis revelou que trabalha em um terceiro texto, que instituiria, por sua vez, uma legislação semelhante à chamada “Lei do Perdimento”, em vigor em São Paulo a partir deste ano. Nesse caso, a punição para o estabelecimento que vender combustível adulterado é confiscar o produto e reprocessá-lo para uso do estado. A medida começou a ser aplicada há cerca de um mês na capital paulista.

A mudança na legislação foi uma demanda baseada em uma experiência em prática há cinco anos em São Paulo. Desde a aprovação da lei correspondente, em dezembro de 2004, 735 postos locais já tiveram a inscrição estadual cassada. Nóbrega acredita que a medida pode ser um forte apoio no combate às irregularidades. “Com a lei de hoje, basta o posto fechado pagar o imposto e está regularizado novamente. E obtém um lucro fabuloso com isso”, acusou.

A preocupação é principalmente com o comércio do álcool, porque a proporção de veículos flex (abastecidos tanto com álcool como gasolina) é cada vez maior no Brasil. “Cinco mil veículos chegam a Pernambuco todo mês. E 95% desses veículos são flex. Por isso, a venda de álcool cresceu 47% ano passado, e a de gasolina apenas 6%”, destaca o diretor do Sindicombustíveis Wladimir Figueiredo.

De acordo com Daniel Moura, gerente do segmento econômico de combustíveis da Secretaria da Fazenda de Pernambuco (Sefaz), cerca de 20 autuações são feitas mensalmente pelo órgão no estado, em um universo de aproximadamente 1.200 postos licensiados. Para ele, as novidades na legislação específica só serão eficazes se unidas com outras medidas de combate às irregularidades.

Fonte: Diário de Pernambuco

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