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A classe média

10 de julho de 2009

Diario Econômico


Aldo Paes Barreto
aldo@diariodepernambuco.com.br


Na contramão dos caminhos e descaminhos da crise global, onde manter o emprego é a maneira mais prudente de permanecer vivo na estrada, várias categorias de trabalhadores estão em greve. Não para manter o emprego, estável para a maioria constituída de servidores públicos, mas pelo aumento no salário, defasado e comprovadamente com menor de compra.

É que nos últimos anos a classe média, formada majoritariamente por profissionais liberais e servidores públicos, encolheu. Espremida entre os mais ricos, pra quem o governo tem sido generoso para dizer o mínimo, e o andar de baixo abastecido pelos diversos programas sociais, a classe média é quem termina carregando o fardo, recolhendo impostos na fonte, pagando alto para ter segurança, saúde, educação e algum lazer.

Ano passado, a consultoria Ernst & Young fez um estudo sobre recolhimento de tributos e constatou que a classe média brasileira é a que mais paga imposto sobre a renda entre os países da América do Sul. E sem retorno. A retribuição do governo em serviços é próxima ao zero. Para ter acesso a serviços básicos, obrigações do governo e direitos do cidadão, só pagando. E pagando caro.

Pena que essas greves, em serviços essenciais, punam os mais pobres e terminem se voltando contra a própria classe média, cada vez mais espremida e distante dos bons médicos, das boas escolas, do carro blindado.

Impostos // Os números são do Ipea, levantados através de pesquisas: os brasileiros 10% mais pobres comprometem 33% do que ganham com impostos, enquanto os 10% mais ricos são apenas 23%. Os “mais pobres” da pesquisa são os integrantes da classe média baixa. No Brasil, pobre mesmo nem renda tem. Nem imposto.

 

Fonte: Jornal do Commercio

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