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Carga tributária dos presentes chega a 78%

11 de junho de 2009



Carla Seixas

cseixas@jc.com.br

O presente do Dia dos Namorados, comemorado amanhã, poderia pesar bem menos no bolso do consumidor não fosse a sua elevada carga tributária. Ontem, o Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT) divulgou uma lista com os presentes mais procurados no período e calculou quanto cada presente leva para a conta do governo. Os percentuais apresentados pelo estudo variam entre 17% e 78%. E, nesse caso, nem mesmo um buquê de flores escapa, somando 17,7% de carga tributária. Os namorados que curtem um jogo, como o playstation, por exemplo, destinam 72,18% do preço final só para bancar tributos (veja arte ao lado).

Tomar um vinho faz o consumidor pagar 54,7% só para bancar o custeio da máquina pública e, teoricamente, suprir a sociedade de necessidades básicas na saúde e na educação, por exemplo. Para o diretor técnico do IBPT, João Elio Olenike, ainda falta muito para a sociedade brasileira ter consciência do quanto paga cada vez que adquire um produto. “Existe um projeto tramitando no Congresso sobre a obrigatoriedade de expor em cada item o quanto o trabalhador vem pagando de impostos ao comprar determinado objeto. Mas acho muito difícil essa proposta ser aprovada porque não há interesse do governo implantar essa iniciativa”, diz Olenike. Segundo ele, tornar a sociedade mais consciente do custo tributário de cada produto leva a uma cobrança maior da contrapartida que deve ser oferecida pelo ente público. Questionado sobre o percentual da sociedade bem informada sobre a carga, ele acredita que cerca de 85% dos consumidores pagam por um produto sem saber o quanto está destinando para os tributos. “A gente critica muito o sistema atual porque não há transparência”, completa Olenike.

Para tornar a sociedade mais ciente do peso tributário, o IBPT realiza algumas ações. Mas, devido ao elevado custo, não têm um alcance nacional, ficando voltadas para o Sudeste do País. No último dia 27, foram feitos alguns atos pelo “dia da libertação dos impostos”. “Este ano, o brasileiro precisou trabalhar até essa data só para pagar os impostos. Por isso, fizemos o ato”, explica.

Embora ontem o instituto tenha levado em consideração os itens que devem figurar na lista de presentes para o Dia dos Namorados, o site do IBPT (www.ibpt.com.br) soma cerca de 300 produtos com a definição da carga tributária atual. O governo federal tem um lugar de destaque no volume de impostos, mas o técnico ressalta que é nos Estados, com o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), onde está o maior peso tributário, devido ao percentual cobrado.

 

Fonte: Jornal do Commercio

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