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Fazendários iniciam embate com governo
16 de maio de 2009
Carla Seixas
cseixas@jc.com.br
O clima entre os fazendários e o governador do Estado, Eduardo Campos, não é mais o mesmo. Depois de somar ao longo dos anos uma boa relação com a categoria, segundo análise dos próprios integrantes da Sefaz, os próximos dias devem ser marcados por tensão, com os servidores expondo suas críticas em relação à área. Sob a justificativa de o Estado não manter paridade salarial entre ativos e inativos e por não oferecer melhores condições de trabalho, principalmente nos postos fiscais, os fazendários estão dando a largada em um processo de mobilizações que vai se iniciar com paralisação das atividades, na próxima terça-feira, durante três horas. É a primeira vez, em quase três anos do atual governo, que a gestão enfrenta uma movimentação dos auditores.
Um cenário bem diferente do registrado durante os anos da administração de Jarbas Vasconcelos, entre 1999 e 2006, quando várias greves foram deflagradas, postos fiscais sem funcionar, e um forte embate entre a categoria e o comando das pastas da Fazenda e de Administração.
Na próxima terça-feira, entre as 10h e 13h a empresa que procurar os pontos de atendimento da Sefaz para questionar alguma cobrança indevida de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), liberar mercadoria apreendida ou qualquer outro serviço do órgão que é responsável por arrecadar o principal tributo do Estado, vai ficar sem atendimento. No caso dos postos fiscais, o movimento coordenado pelo Sindicato dos Auditores Fiscais do Estado de Pernambuco (Sindifisco) resolveu adotar a paralisação durante uma hora.
Ao todo, são 1.142 auditores na ativa e outros 900 aposentados. As secretarias da Fazenda, de Administração e o próprio Palácio do Campo das Princesas foram procurados para comentar o assunto. Todos preferiram não se pronunciar. Outra grande queixa da categoria é em relação a falta de concurso. Segundo o presidente do Sindifisco, José Pessoa Lins, há hoje na Sefaz uma carência 300 pessoas. “O governo ficou de nos apresentar propostas para solucionar os problemas em janeiro deste ano, mas até agora não houve nada”, queixa-se o sindicalista.
Na lista de problemas, a falta de segurança sentida pelos auditores nos postos fiscais está entre os destaques. “O posto fiscal de Ibó, localizado entre Cabrobó, Salgueiro e Belém do São Francisco, no conhecido polígono da maconha, os dois únicos funcionários ficam sem segurança, correndo riscos”, critica o auditor fiscal e diretor jurídico do Sindifisco Alexandre Moraes.
A até então boa relação entre os fazendários e Eduardo Campos vem de muito tempo, quando ele mesmo chegou a gerir a Secretaria da Fazenda, durante o governo Arraes, entre os anos de 1996 e 1998, atuando na sequência como deputado federal. Nas eleições de 2006, Alexandre Moraes lembra que o candidato Eduardo Campos chegou a participar de um congresso do Fisco em Pesqueira, recebendo um documento dos fazendários que relataram a situação da pasta. “Nossa expectativa era grande, mas até agora, nada”, diz ele.
Fonte: Jornal do Commercio
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