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Brasil arrecada R$ 11 bi a menos
17 de abril de 2009
BRASÍLIA – A arrecadação federal caiu, em março, pelo quinto mês consecutivo. No primeiro trimestre, o recolhimento de tributos foi R$ 11 bilhões menor do que o do mesmo período de 2008. Significa que o governo deixou de arrecadar, em três meses, o valor gasto em um ano com o programa Bolsa-Família. A queda na arrecadação é reflexo da crise internacional sobre a economia brasileira. Se as empresas têm faturamento menor, por exemplo, o recolhimento de tributos também cai.
Além disso, a Receita Federal calcula que deixou de recolher R$ 3,1 bilhões com as desonerações concedidas no pós-crise: a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) e a nova tabela do Imposto de Renda (IR) das pessoas físicas. Com as desonerações anteriores, a renúncia fiscal soma R$ 6,5 bilhões no primeiro trimestre, pelos cálculos do fisco.
Apesar do desempenho ruim do primeiro trimestre, a intensidade da queda da arrecadação foi menor em março do que nos outros meses pós-crise. Em comparação com março do ano passado, a redução real da arrecadação (descontados os efeitos da inflação) foi de 1,1%, somando R$ 53,2 bilhões.
Sem descontar a inflação, ou seja, pelo cálculo chamado de preços correntes, a arrecadação subiu 4,43%
“Ainda não dá para dizer que houve recuperação da arrecadação. Em abril, poderemos ter uma ideia do comportamento. Agora, não tem mágica. Ninguém tem dúvida de que essa é a maior crise da nossa geração”, afirmou Lettieri.
Francisco Lopreato, especialista em contas públicas da Unicamp, acredita em recuperação econômica, ainda que lenta. Ele comentou que a cada mês os indicadores da economia têm sido melhores que os do mês anterior, o que pode indicar recuperação em comparação com a pior fase da crise – o último trimestre do ano passado.
Lettieri explicou que, no ano passado, as empresas estavam com dinheiro em caixa e, assim, preferiram pagar em janeiro os tributos sobre o lucro (CSLL e IR). Neste ano, com menos dinheiro em caixa, deixaram o pagamento para março, mês do vencimento, o que inflou os números em comparação ao mesmo período do ano passado.
O aumento na receita da Previdência Social, de 10,9%, também ajudou na melhora da arrecadação. Lettieri acredita que seja reflexo das contratações de fevereiro, mas admite que foi também impacto do reajuste do salário mínimo. O setor de veículos, beneficiado pela desoneração, pagou 90,9% menos de IPI em março.
RANKING
A arrecadação caiu em sete das 10 regiões fiscais do País. A maior queda (de -14,77%) ocorreu na região que abrange apenas Minas Gerais. Nos Estados do Rio de Janeiro e Espírito Santo, a queda foi de 14,57%, a segunda maior.
Fonte: Jornal do Commercio
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