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Carga tributária deve bater recorde

5 de janeiro de 2009

 

SÃO PAULO (AE) – Mesmo com o fim do chamado imposto do cheque (CPMF),  a carga tributária brasileira vai bater novo recorde em 2008. A arrecadação deve subir para 35,49% do Produto Interno Bruto (PIB), 0,70 ponto percentual acima dos 34,79% atingidos em 2007, segundo projeção do consultor em finanças públicas Amir Khair. Economista do PT, Khair utilizou a metodologia da Secretaria da Receita Federal para calcular a carga tributária, tendo com base dados oficiais até outubro da União e Estados e estimativa para municípios.

Para o PIB, o economista considerou um crescimento de 5,5%. Em números absolutos, a soma de todas as riquezas produzidas no País chegaria a R$ 2,946 trilhões, ante R$ 2,792 trilhões em 2007, já corrigidos por uma inflação de 7,5% prevista para o período. Assim, a carga tributária ultrapassaria a casa do R$ 1 trilhão, o que representa uma mordida 7% maior em relação à de 2007. Procurada, a Receita Federal não comentou o assunto.

O apetite do Leão não chega a ser nenhuma novidade. O consultor Clóvis Panzarini, que foi coordenador da Arrecadação Tributária da Secretaria da Fazenda de São Paulo por oito anos, costuma dizer que a carga tributária é uma variável dependente e que a variável independente é o gasto. Seria como a taxa de um condomínio: para diminuí-la, antes é preciso reduzir a despesa. “Se quisermos ter uma carga tributária mais civilizada, o governo precisa gastar menos e melhor os recursos públicos”, afirma o consultor.

O estudo de Khair mostra que os Estados foram ainda mais vorazes que a União e se tornaram os principais vilões do aumento da carga tributária. Para o aumento de 0,70 ponto porcentual previsto na carga, os Estados contribuíram com 0,42 ponto, enquanto a União respondeu por 0,25 e os municípios por apenas 0,04.

De janeiro a outubro, o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), principal fonte de arrecadação dos estados, cresceu 13,4% acima da inflação medida pelo IPCA, superando o crescimento ocorrido no conjunto das receitas da União (10,3%). Segundo Khair, isso se deve à substituição tributária que tem sido adotada cada vez mais pelos Estados e cujos resultados deverão ser intensificados em 2009.

Fonte: Folha de Pernambuco

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