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Empresário e tributarista ficam dividos

12 de dezembro de 2008


Em momento de crise, o que vier de redução de impostos está valendo. Foi assim que reagiu Sílvio Vasconcelos, presidente da Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL) do Recife. Para ele, a redução do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) pode representar um alívio para os consumidores que buscam financiamento, uma das formas mais populares de aquisição de bens.

“Na situação atual, qualquer medida que venha em benefício do consumidor e dos empresários é bem recebida”, disse Vasconcelos, que achou até mesmo apropriado a colocação de medidas em dose homeopáticas. “É melhor que um pacote drástico”, defendeu o empresário.

Segundo ele, o movimento no comércio do Recife não diminuiu em intensidade. Novembro ainda foi um mês bom de vendas, mas dezembro está abaixo da expectativa. A razão seria que as pessoas estão mais seletivas, olhando por um tempo maior as ofertas sem se decidir pela compra. “Nos primeiros dez dias de dezembro percebemos uma diminuição nas vendas. O consumidor está indo às lojas, mas olhando preço. O consumidor está muito em dúvida do que vai fazer”, analisou. Para ele, os consumidores tomarão a decisão nos próximos 15 dias, e uma notícia de redução de impostos vem a calhar nesse momento.

MUDANÇA COSMÉTICA

As mudanças no Imposto de Renda (IR) tiveram foco na classe média. Mas, para a tributarista Mary Elbe Queiroz, as alterações no IR são muito pequenas para ter impacto real na economia. Isso porque o que foi alterado afeta muito pouco a capacidade de consumo.

“Nós temos uma tributação muito injusta. Essa faixa de 7,5% é melhor do que 15%, mas ainda é injusta. A isenção deveria ser maior do que a proposta”, considera a especialista. Segundo ela, para a primeira faixa de renda, não há nem tributação efetiva de IR, e sim retenção na fonte. Normalmente, o imposto é retido pela empresa, mas devolvido após o contribuinte fazer a declaração de ajuste, com direito a desconto na declaração simplificada.

“Essa primeira faixa tem o imposto retido na fonte e depois a restituição. O governo retém o imposto mais para fazer fluxo de caixa”, diz. “É uma vantagem tão pequena que não vai representar muita coisa”, diz. Para ela, uma verdadeira justiça fiscal seria isenção maior para quem ganha menos, tomando como base o salário mínimo calculado pelo Dieese, bem acima do oficial.

 

Fonte: Jornal do Commercio

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