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Brasil economiza R$ 6 bi para pagamento de juros

30 de setembro de 2008

BRASÍLIA – O superávit primário, que é a economia realizada pelo governo para o pagamento dos juros da dívida pública, foi recorde para agosto: R$ 6,275 bilhões. De acordo com os dados apresentados ontem pelo Tesouro Nacional sobre as contas do governo central – governo federal, Previdência e Banco Central, sem estatais e governos locais –, o resultado do mês passado foi 70,2% acima do registrado no mesmo mês de 2007, de R$ 3,7 bilhões.

No acumulado do ano, o superávit primário também bateu recorde e atingiu R$ 74,838 bilhões, o equivalente a 3,99% do Produto Interno Bruto (PIB, soma de todos os bens e serviços produzidos no país). Nos oito primeiros meses de 2007, o superávit estava em R$ 51,457 bilhões, ou 3,09% do PIB. A economia total do governo quase chegou à meta do ano, de R$ 78,6 bilhões, já incluindo os R$ 14,2 bilhões que serão destinados ao Fundo Soberano, que está em votação no Congresso Nacional.

O superávit primário é uma das principais armas do governo contra a crise financeira global – junto com as elevadas reservas internacionais, que estão na casa dos US$ 200 bilhões. Ao garantir bons resultados fiscais, o País fica menos dependente do mercado global para rolar suas dívidas. Apesar disso e dos bons resultados, o secretário do Tesouro, Arno Augustin, afirmou que nada mudou e que o governo continua mirando na meta traçada, ou seja, não perseguirá um resultado melhor. “O bom resultado de agosto demonstra a capacidade do governo em fortalecer o País. Porém, continuamos perseguindo a meta, não há qualquer mudança em nossa política (de superávit primário) em agosto.

No acumulado em doze meses, o superávit somou R$ 81,207 bilhões, ou seja, R$ 2,6 bilhões acima da meta de 2008. Arno disse que isso não significa que o superávit vai ser maior que o esperado, embora a maior parte dos analistas do mercado financeiro espere isso, o que daria mais solidez à economia.

“O país já havia definido um superávit primário maior no início do ano, a partir de uma postura tributária pró-ativa, anticíclica”, desconversou o secretário.

Apesar do bom momento de agosto, o resultado do mês passado é menor que o obtido em julho, de R$ 7,2 bilhões. A diferença, contudo, decorre principalmente da antecipação de parte da primeira parcela do 13º salário dos aposentados e pensionistas.

O Tesouro informou que, no acumulado deste ano, enquanto as receitas cresceram 17,97% sobre o mesmo período do ano passado, as despesas se expandiram de apenas 11,49%. No período, os investimentos cresceram 42%, passando de 11,184 bilhões em 2007 para R$ 15, 9 bilhões no primeiros oito meses deste ano. Augustin disse acreditar que a economia crescerá fortemente no ano que vem.

Segundo ele, mesmo com a crise financeira global, o governo está tomando todas as medidas necessárias para garantir o crescimento econômico. O secretário disse que, até o momento, não estão sendo estudados novos aportes ao BNDES – cujo papel como financiador do investimento deve crescer com a retração no crédito mundial –, mas que isso poderá ocorrer no futuro. “O governo está atento e entende que é importante manter o aumento do investimento, mas não há necessidade (de capitalizar o BNDES) até o momento.”

Fonte: Jornal do Commercio

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