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Estaleiro demite 48, mas greve é mantida

24 de setembro de 2008

Felipe Lima

Quarenta e oito funcionários demitidos por justa causa. Este é o primeiro saldo do movimento grevista dos trabalhadores do Estaleiro Atlântico Sul, iniciado na segunda-feira e que continua hoje. Após mais de dez horas aguardando o entendimento entre as duas partes, através de uma mediação feita pelo Ministério Público do Trabalho de Pernambuco, os soldadores e montadores decidiram manter a paralisação quando receberam a notícia dos desligamentos. Hoje, haverá uma assembléia a partir das 6h, em Suape, para definir os rumos do movimento.

O assunto já despertou preocupação na Transpetro, principal cliente do estaleiro. Após uma denúncia feita pela Central Única dos Trabalhadores de Pernambuco (CUT-PE), diretamente à subsidiária da Petrobras, uma comissão chegará no Estado hoje para se inteirar da situação. A Transpetro encomendou a construção de dez navios Suezmax (utilizados no transporte de petróleo), a um custo total de US$ 1,2 bilhão

O estaleiro não abriu espaço para discutir as demissões, aceitando apenas não defini-las como por justa causa, caso a greve se encerre imediatamente. Em suma, as negociações de ontem trouxeram poucos resultados. A questão salarial, principal ponto, ficou para ser debatida em definitivo somente após a campanha salarial dos metalúrgicos. O piso pleiteado incialmente pelos trabalhadores é de R$ 800.

Segundo o advogado do Sindicato dos Metalúrgicos de Pernambuco, Jorge Silva, não houve sinalização quanto ao pagamento de horas extras. Já o auxílio-insalubridade só será definido após análise feita por uma comissão que deverá ser formada por representantes do MPT-PE, dos trabalhadores e do Atlântico Sul. Enquanto isso, o problema dos ônibus ficou para ser solucionado em até 15 dias pelo estaleiro, segundo relatou o procurador-chefe do MPT-PE, Aluísio Aldo da Silva Júnior.

Ontem, através de nota oficial, a empresa reiterou seu repúdio ao movimento. “O Estaleiro Atlântico Sul vem a público esclarecer que: não reconhece a legitimidade de um movimento ilegal, abusivo e despropositado, com atos de truculência não condizentes com a postura de negociação e a prática democrática que a empresa sempre demonstrou com os seus funcionários, sindicatos e comunidade”. E finaliza reforçando que “um movimento provocado por um pequeno grupo isolado e mal intencionado não prejudicará a imagem dos demais funcionários comprometidos com este projeto”. O Estaleiro Atlântico Sul é formado pelas empresas Camargo Corrêa, Queiroz Galvão, PJMR e Samsung. Além dos Suezmax, a empresa também ganhou o contrato para construir blocos da plataforma P-55, da Petrobras, ao custo de US$ 392,6 milhões.

Fonte: Jornal do Commercio

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