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Funcionários do estaleiro paralisam as operações
23 de setembro de 2008Felipe Lima
Os trabalhadores que já estão atuando no corte de aço do Estaleiro Atlântico Sul, em Suape, cruzaram os braços durante todo o dia de ontem. Salários abaixo do piso da categoria, não-pagamento de horas-extras, condições adversas de trabalho, assédio moral e desvio de função são alguns dos motivos apontados pelos profissionais para a paralisação. A empresa nega todas as acusações. Segundo estimativas dos coordenadores do movimento, cerca de 95% do quadro de funcionários, quase mil empregados, aderiram à greve, que deve continuar hoje.
O movimento teve início às 6h30, na entrada no Complexo Industrial e Portuário de Suape, com barreiras formadas para impedir o tráfego dos ônibus que levam os trabalhadores até a Ilha de Tatuoca, local do estaleiro. Houve atrito com a Polícia e alguns sindicalistas chegaram a ser algemados e encaminhados à delegacia. Hoje, às 10h, uma comissão dos funcionários se reunirá com representantes do estaleiro para buscar um acordo, no Ministério Público do Trabalho em Pernambuco (MPT-PE).
Entretanto, mesmo com a mediação agendada, os trabalhadores vão manter a paralisação. A principal queixa, de acordo com o dirigente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e ex-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Pernambuco, Moacir Silveira, é a questão salarial.
De acordo com a convenção coletiva da categoria, firmada em setembro do ano passado, o piso para profissionais de metalurgia que trabalham em empresas com mais de 150 funcionários é de R$ 650. No Atlântico Sul o maior salário é de R$ 520, além de que, grande parte dos novos empregados recebe apenas R$ 469.
Diante desse cenário a decepção é grande para muitos que deixaram empregos em repartições públicas, onde recebiam cerca de R$ 1.200, enfrentaram processos seletivos, realizaram reforços escolares e cursos profissionalizantes para abraçar o sonho do estaleiro.
Dezenas de funcionários denunciaram ainda que estão sem receber horas-extras. Desde que o estaleiro começou o processamento das chapas de aço, há expediente aos sábados e domingos, além de uma hora a mais nas sextas-feiras. Outra queixa é a falta de um auxílio-insalubridade. Sobram reclamações quanto às condições de trabalho dos soldadores, que alegam não terem material de proteção de boa qualidade, provocando ferimentos constantes no dia-a-dia do trabalho.
OUTRO LADO
Através de uma nota oficial enviada por sua assessoria de imprensa o Estaleiro Atlântico Sul repudiou o movimento. “A empresa foi surpreendida por uma paralisação sem que tivesse ocorrido a comunicação prévia de qualquer reivindicação ou que tenha sido pleiteado o início de um processo negocial”. O documento afirmou ainda que todos os pleitos, acordos e convenções são cumpridos.
E mais: “a empresa não permitirá que atos covardes, desrespeitosos e abomináveis, como os registrados nessa segunda-feira, impeçam seus funcionários de ter acesso ao seu local de trabalho contra a sua própria vontade”, finalizou a nota.
Fonte: Jornal do Commercio
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