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Metalúrgicos do estaleiro fazem paralisação em obra
23 de setembro de 2008Micheline Batista // Diario
Cerca de 1,2 mil metalúrgicos do Estaleiro Atlântico Sul, no Complexo Industrial Portuário de Suape, decidiram ontem cruzar os braços por melhores condições de trabalho. Eles reclamam que não recebem adicional de insalubridade, da qualidade da alimentação que é servida no local e que estariam sendo obrigados a desempenhar outras funções que não a de soldadores ou montadores, como a limpeza de banheiros. Também há queixas em relação ao não pagamento de horas extras.
A paralisação teve início logo no começo do expediente, por volta das 8h, e a empresa chegou a mobilizar forças policiais para tentar conter o movimento. O clima ficou bastante tenso. O Sindicato dos Metalúrgicos de Pernambuco enviou ônibus para que os trabalhadores pudessem voltar para casa. “Os trabalhadores elegeram representantes mas a empresa se negou a negociar, exigindo a volta imediata ao trabalho”, contou a secretária de Formação Sindical do sindicato, Maria Auxiliadora de Souza.
Segundo ela, a empresa vem destratando os funcionários, que estariam sendo constantemente humilhados. “Eles estão constrangendo os trabalhadores, jogando na cara que eles são ex-cortadores de cana, como se isso fosse algum demérito. Chegaram até a ameaçar a retirada das mesas do refeitório com a justificativa absurda de que cavalo come
O Atlântico Sul divulgou uma nota informando que foi “surpreendida por uma paralisação sem que tivesse ocorrido a comunicação prévia de qualquer reivindicação”. A empresa garante que cumpre rigorosamente a legislação, as convenções e os acordos coletivos e que não vai ceder ao que chamou de “atos de vandalismo, força e agressão”. “A empresa não permitirá que atos covardes, desrespeitosos e abomináveis, como os registrados nessa segunda-feira, impeçam seus funcionários de ter acesso ao seu local de trabalho contra a sua própria vontade”, completou.
À tarde, uma comissão formada por representantes dos trabalhadores e do sindicato rumou para o Ministério Público do Trabalho de Pernambuco. “Eles apresentaram uma pauta de reivindicações e nós marcamos uma audiência de mediação para amanhã (hoje), às 10h”, disse o procurador-chefe Aloísio Aldo da Silva Júnior. De acordo com ele, também há denúncias de que a Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (Cipa) ainda não teria sido instalada no Atlântico Sul.
O estaleiro está sendo construído desde fevereiro de 2007. Neste mês, começou a cortar as primeiras chapas de aço que serão utilizadas na construção de dez petroleiros para a Transpetro, no casco da plataforma P-55 para a Petrobras e em dois navios do tipo VLCC para a Noroil, suas primeiras encomendas.
Fonte: Diário de Pernambuco
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