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Servidor público recupera renda

4 de setembro de 2008

Thatiana Pimentel // Especial para o Diario
thatiana.pimentel@gmail.com

 

Com o encerramento da maior rodada de reajustes salariais já concedida ao funcionalismo público, o abismo entre os rendimentos do setor e dos trabalhadores das empresas privadas ficou ainda mais evidente, principalmente em Pernambuco. Fatores como economia aquecida, greves, longo período de salários congelados e rotatividade nas empresas privadas aparecem como os grandes responsáveis pela atual política de reajustes para os servidores. Ao se comparar os rendimentos dos trabalhadores dos dois setores em maio deste ano, com maio de 2002, há perda salarial para quem trabalha na iniciativa privada. Segundo dados do Pesquisa Mensal de Emprego (PME) do IBGE, o rendimento médio real do trabalhador no setor público cresceu 2,3%, passando de R$ 1.824 para R$ 1.866 enquanto no setor privado, caiu 2,8 %, indo de R$ 1.111 para R$ 1.079.

A análise leva em conta os rendimentos de servidores do funcionalismo federal, estadual e municipal, mas não diferencia os salários dos servidores do poder Executivo, Legislativo e Judiciário. O que é considerado um erro para Paulo Rocha, secretário-geral da Central Única de Trabalhadores de Pernambuco (CUT – PE). “Os salários altos são restritos ao poder Judiciário e Legislativo. No Executivo o que encontramos são médicos trabalhando com péssimas condições e realizando jornadas triplas para conseguir uma remuneração digna. E o mesmo acontece com os professores e com quase todos os cargos que têm relação direta com a sociedade”, afirmou. Para ele, os anos em que o salário do funcionalismo público esteve congelado, mais evidente nos cargos de nível federal que passaram os oito anos da gestão de Fernando Henrique Cardoso sem reajuste, também influenciaram a postura do atual governo.

Segundo os dados do Dieese, os ganhos reais nos salários do setor público ficaram maiores a partir de 2005, impulsionados pelos crescimento econômico. O maior aumento real foi de 12,2%, em outubro de 2006, comparando com o mesmo período de 2005. Os rendimentos só pararam de crescer em maio deste ano, quando a remuneração média real do setor caiu 0,1% em relação ao mesmo período de 2007. Já no setor privado a recuperação dos salários foi mais expressiva a partir de 2006. Em abril, o aumento real dos rendimentos do emprego privado foi de 6,9% em comparação ao mesmo mês em 2005. Em maio deste ano, a queda foi de 0,9%, em relação ao mesmo mês de 2007. Em Pernambuco, os reajustes são percebidos após 2004, quando a trajetória de queda do rendimento do setor público é revertida.

“Os fatores para a diferença entre os salários são variados. O aumento de arrecadação fiscal influencia, mas o setor público é inegavelmente mais organizado que o privado e pressiona mais os “chefes”, em busca de aumentos”, afirmou o coordenador da Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED) do Dieese de Pernambuco, Jairo Santiago. Ele acredita que as mobilizações e greves contam mais que o aquecimento da economia. “Se o funcionário não pressionasse, não estaríamos vendo esses reajustes”, ressaltou. Outro ponto que ele considera fundamental é a rotatividade do setor privado.

Fonte: Diário de Pernambuco

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