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Temos mais pobres que os outros

6 de agosto de 2008


Antes que alguém pense que esse é mais um daqueles estudos 4×4 (chama-se 4×4 os trabalhos de pesquisadores em salas de 16m², analisando e cruzando dados já coletados pelo IBGE em campo), feito por algum pesquisador preocupado numa nova face de nossa realidade social, é preciso informar que o trabalho Pobreza e Riqueza no Brasil Metropolitano do Ipea, apresentado ontem, é do próprio presidente do instituto, Márcio Pochmann (tradicional quadro do PT). Ele foi produzido, como aliás está dito, pela equipe técnica da presidência do Ipea e outros dois pesquisadores, para dizer que no governo Lula a pobreza caiu nas seis Regiões Metropolitanas de 35% da população, em 2003, para 24,1%, já em 2008. Portanto, na próxima campanha, vai se dizer muito que 7 milhões de pessoas saíram da linha da pobreza em apenas seis anos.

Também é preciso dizer que o conceito de renda utilizado na análise junta os rendimentos do trabalho e aposentadorias, somados à pensão, doação, aluguel, juros, dividendos e Bolsa Família. Ou seja, trata-se fundamentalmente do rendimento advindo do trabalho, acrescido da aposentadoria e novos benefícios sociais. E não se pode esquecer que nas regiões metropolitanas ainda existem 3,1 milhões de pessoas indigentes e mais 11,3 milhões de pobres.

Realizado no Recife, Salvador, São Paulo, Porto Alegre, Belo Horizonte e Rio de Janeiro, o estudo constatou que o percentual de pobres na cidade de Belo Horizonte, por exemplo, entre 2002 (38,3%) e 2008 (15,2%), teve queda de 23,1%. Já no Recife, esse índice foi onde caiu menos, indo de 52,3%, para 43,1% no mesmo período – uma redução de apenas 9,2%, acentuado a nossa pobreza.

» Mais de 43% de pobres

Os ganhos da Região Metropolitana de Belo Horizonte são extraordinários. Isso quer dizer que BH, que tinha 1,8 milhão de pobres, em seis anos reduziu isso para 1,1 milhão de pessoas. Foram 700 mil pessoas numa população de 4,8 milhões. O problema do Recife é que, numa população de 3,6 milhões de pessoas, 1,8 milhão eram pobres e miseráveis em 2002. Hoje, a RMR ainda tem 1,5 milhões de pobres e miseráveis, mesmo tendo melhorado a vida de 327 mil pessoas. Ou seja: ainda temos mais pobres que os outros.

» Redução maior

O estudo do Ipea mostra que os desafios do Recife são muito maiores. Em São Paulo e Porto Alegre, por exemplo, a redução deve se dar agora sobre 20% da população. É como se apenas um em cada cinco pessoas estejam na pobreza. Na RMR, são mais de duas em cada cinco.

» Efeito melhor

Também mostra que a Bahia já colhe os frutos da elevação de seu PIB, que hoje é de 4,2% do nacional, enquanto Pernambuco soma 2,3%. Além disso, na Grande Salvador moram 300 mil pessoas menos que no Grande Recife. E lá, em seis anos, 356 mil pessoas melhoraram de vida.

» Muito menor

Isso quer dizer que os desafios da RMR são muito maiores, inclusive em relação aos mais ricos – que aqui perderam participação relativa. Recife, aliás, é a cidade onde os mais ricos estão em número menor que nas demais regiões metropolitanas.

» Menos ricos

No estrato dos mais ricos constata-se que somente nas regiões metropolitanas de Belo Horizonte e do Rio de Janeiro houve um crescimento na participação relativa de gente com renda de 40 e mais salários mínimos. No Recife, proporcionalmente, está menor.

Fonte: Jornal do Commercio

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