Marca SINDIFISCO Sindicato dos Auditores Fiscais e Julgadores Tributários de Pernambuco

Notícias

A moda agora é pedir isonomia

6 de abril de 2008

Os auditores fiscais da Receita Federal do Brasil estão em greve. Não estão pedindo recuperação de perdas inflacionárias nem reclamando contra o aumento do custo de vida. A palavra de ordem do movimento, bem como de vários outros da administração pública, é isonomia. Uma vez que algumas categorias enquadradas como típicas de Estado receberam reajustes e mudanças no plano de carreiras, os auditores correm atrás. O que pode provocar um efeito cascata e concentração de renda, advertem especialistas.

O economista e ex-secretário da Fazenda Jorge Jatobá não poupa críticas aos movimentos que pregam a simples isonomia. “Eu acho que, no caso das carreiras como a de auditores, os sindicatos aplicam com rigor a máxima de que tudo tem que ser igual. É o nivelamento. Só que ninguém quer nivelar por baixo, mas por cima”, diz o especialista. Ele próprio enfrentou dificuldades quando esteve à frente do cofre do governo do Estado, em negociações salariais. “Isso cria uma sala de espelhos. As pessoas olham o seu salário e o dos outros. Querem receber o mesmo de quem está em cima. Não questionam se o trabalho é o mesmo, se a carreira é a mesma”.

É justamente o que ocorre atualmente com os auditores fiscais. Publicamente, a categoria em greve não reclama de salário baixo ou perdas inflacionárias. “Nós estamos buscando um reajuste que recoloque a classe no topo da remuneração do Executivo Federal. Esse sempre foi o patamar de remuneração dos auditores fiscais”, afirma Robson Cunha, diretor do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil (Unafisco).

A categoria não aceita o distanciamento em relação a atual carreira de elite do funcionalismo público do Executivo, os policiais federais. “Houve um reconhecimento desproporcional, por parte do Executivo, da importância das carreiras jurídicas, como a dos delegados da polícia federal”, comenta o diretor. Canha rejeita falar em isonomia, mas defende algo que, na prática, é a mesma coisa. “Estamos lutando para ficar no mesmo patamar. Pode ser um pouco acima ou pouco abaixo. Não precisa ser, necessariamente, igual”, diz. Para o especialista em mercado de trabalho e professor da USP, José Pastore, esse tipo de comparação é descabida. “As profissões são muito diferenciadas. Não faz sentido isso no mercado de trabalho”, diz.

Hoje, trabalhar para o governo pode ser até 60% mais vantajoso, segundo dissertação de mestrado recentemente defendida na PUC-RJ pelo economista Bruno Gomide.

Ele estudou a diferença de salários entre profissionais com a mesma escolaridade no governo e na iniciativa privada. Na área jurídica, chega-se a ganhar até 60% a mais no governo. Bem diferente da realidade de médicos, que não observam muita vantagem em trabalhar para o governo e para professores, que recebem até menos. “Essas distorções são terríveis e criam um problema de concentração de renda”, analisa Jatobá.

Fonte: Jornal do Commercio

Notícias