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IR // Para fisgar contribuintes, bancos oferecem financiamentos a juros bem mais em conta

17 de março de 2008

Uma linha de crédito mais em conta começou a ser oferecida pelos bancos brasileiros no mesmo momento em que foi aberta a temporada de declarações do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) 2008. Desde o dia 3, contratos de financiamentos para fisgar brasileiros que querem antecipar as restituições do IR começaram a ser fechados. Tanto a procura quanto o valor médio contratado já são maiores que o registrado pelas instituições financeiras no ano passado. Apesar das taxas mais baixas que as cobradas em outras linhas de crédito oferecidas pelos bancos, as contratações exigem cuidado, porque o consumidor corre o risco de cair na malha fina da Receita Federal e, no fim das contas, ficar sem condições de quitar a dívida.

Entre os maiores bancos do país, as taxas de juros cobradas nos financiamentos de antecipação do IR variam de 1,95% a 2,99%, ao mês. A maioria pede que o mínimo contratado varie de R$ 100 a R$ 300. E nem todos financiam 100% do valor previsto para restituição. Háaqueles que prevêem um teto para contratações e os que se propõem a liberar o crédito do montante total que poderá ser restituído. Os prazos para quitar o contrato variam de dezembro a 28 de fevereiro de 2009, quando normalmente são liberados os últimos lotes de restituição.

O gerente de Mercado Pessoa Física do Banco do Brasil em Minas Gerais, Euber Wandaik, conta que as contratações da linha de antecipação da restituição do IR surpreenderam. Houve crescimento tanto em volume quanto nos valores contratados. A expectativa do banco é de que o aumento dos financiamentos da linha chegue a 25%, na comparação com o registrado em 2007. E, do dia 3 até agora, o valor médio contratado está em R$ 2.442. A alta é de 48,09%, frente ao ano passado.

A coordenadora do Sindicato da Indústria de Calçados de Minas Gerais, Patrícia Rajão, é uma correntista do Banco do Brasil que está avaliando se vai optar pela antecipação este ano. Ela já contratou esse tipo de financiamento lastreado pela restituição do Imposto de Renda, por duas vezes. Na primeira, para fazer uma viagem para Maceió (AL), para comemorar o aniversário de 40 anos em grande estilo, em 2005. No ano passado, precisava acertar a mensalidade da escola a filha, que estava atrasada. “Valeu muito a pena. Paguei menos juros do que se tivesse rolado a dívida ou usado cheque especial”, conta. “O dinheiro é meu mesmo, só faço a opção por receber antecipadamente”, lembra.

O gerente de Tática Comercial do Mercantil do Brasil, Uelques Almeida, conta que as taxas atrativas motivam as contratações. O banco financia o mínimo de R$ 300 e o máximo limitado a 80% do valor a ser restituído. O prazo para o pagamento termina junto com o último lote informado pela Receita, mas se houver algum imprevisto, como a inclusão da declaração na malha fina, é feita uma negociação específica com cada cliente. Ele diz que o banco prevê aumento de 20% nas contratações deste ano.

Fonte: Diário de Pernambuco

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