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Os infiéis resistem à nova CPMF
16 de janeiro de 2008É bom o governo se preparar. Se sonha em recriar a CPMF, terá que ceder na reforma tributária. Caso contrário, assistirá novamente no Senado a cenas parecidas com a votação que derrubou o imposto do cheque em dezembro do ano passado. Senadores de legendas aliadas do governo que votaram contra a CPMF não estão dispostos a topar um novo imposto mesmo que seja todo destinado à saúde, como defendem deputados governistas. Os senadores exigem, no mínimo, uma contrapartida. Querem uma desoneração tributária e ameaçam repetir o voto que deram em plenário caso não haja a compensação. E o governo sabe que sem eles dificilmente terá sucesso na empreitada para ressuscitar o tributo.
Na Câmara, a vida governista é mais tranqüila. A base aliada do presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem maioria folgada sobre a oposição. O que vier em relação a um novo imposto tem tudo para passar. Por isso, o líder do governo na Casa, Henrique Fontana (PT-RS), tem dito que a intençãoda bancada de apoio a Lula é não vincular a proposta de nova CPMF, com alíquota de 0,20%, à reforma tributária. Aposta na vitória em plenário.
Só que no Senado o jogo é bem diferente. Na votação de dezembro, seis senadores da base de apoio ao presidente Lula ficaram contra o imposto. Foram os peemedebistas Jarbas Vasconcelos (PE), Mão Santa (PI) e Geraldo Mesquita (AC), além de Romeu Tuma (PTB-SP), César Borges (PR-BA) e Expedito Júnior (PR-RO). Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR) não estava em Brasília no dia da votação da CPMF, mas havia declarado seu voto pelo fim do tributo.
Com exceção de Mesquita, que não foi localizado, o Correio ouviu esses senadores sobre o movimento iniciado na Câmara para criar um imposto para a saúde. Todos adotaram discurso semelhante: só apóiam a proposta dentro de uma discussão de diminuição em outros tributos, inclusive uma eventual revogação das recentes decisões do governo que aumentaram o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) e a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL).
Recém-chegado à base aliada do Palácio do Planalto, César Borges avalia que a proposta discutida na Câmara seria até “irrecusável” se fosse feita na época da votação da antiga CPMF. Agora, diz que dificilmente passará sem que o governo ceda algo em troca. “É uma idéia a analisar, mas seria importante que, junto a ela, viesse uma desoneração de outro imposto. Não sou contra, mas temos que discutir isso no bojo da reforma tributária”, diz.
Fonte: Diário de Pernambuco
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