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Crédito fica mais caro com IOF maior

9 de janeiro de 2008

 

Oaumento da alíquota do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) de 1,5% para 3,0% ao ano, anunciado pelo governo na quarta-feira, vai encarecer as parcelas dos financiamentos ao consumidor. Simulações feitas pela Associação Nacional dos Executivos de Finanças (Anefac) mostram que, na compra de um automóvel de R$ 25 mil em 60 meses, por exemplo, o acréscimo chega a 3,12%, significando um aumento de R$ 23,13 em cada parcela ou R$ 1.387,80 ao final dos cinco anos. Quanto mais longo o prazo, mais caro ficará o financiamento (ver quadro).

Ou seja, o consumidor que com o fim da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) estaria economizando um valor de R$ 2,81 na prestação desse carro, agora terá que arcar com o custo do aumento do IOF, que será de R$ 168,60. O fato é que, nas simulações feitas pela Anefac, o custo da alta do IOF supera o benefício obtido com o fim da CPMF no final de dezembro.

Especialistas acreditam que a medida poderá acabar com a chamada “farra do crédito” e, por tabela, frear o consumo. “Quem tem dinheiro e pode comprar à vista não vai sentir nenhum efeito. Mas a população mais pobre, que costuma comprar no crediário, vai ser penalizada”, afirma o vice-presidente da Anefac, Miguel Oliveira. Apesar disso, ele não acredita que as pessoas deixarão de comprar, mesmo pagando mais caro. Mas alerta que as empresas podem repassar para os preços dos produtos a elevação em seus custos financeiros. Elas costumam recorrer a empréstimos para financiar capital de giro ou investimentos. Com o aumento na alíquota do IOF, esse dinheiro ficará mais caro.

“Todos os custos de uma empresa, inclusive os financeiros, são embutidos na composição de preços”, lembra Oliveira. Na prática, as empresas teriam que reduzir o preço dos produtos e serviços, já que não estão mais sujeitas à cobrança da CPMF. Mas os especialistas acreditam que isso não vai acontecer. E tem mais. Os bancos podem querer repassar às tarifas e às taxas de juros o aumento da Contribuição Socialsobre o Lucro Líquido (CSLL) de 9% para 15%. A medida provisória deve sair nos próximos dias.

Inoportuno – Para o presidente da Federação das Indústrias de Pernambuco (Fiepe), Jorge Côrte Real, o pacote do governo “é ruim, de má qualidade e chega em momento inoportuno”. “Parte significativa do crescimento do país está sendo sustentada pelo consumo das famílias. Restringindo as compras, vamos estar restringindo o crescimento econômico”, avaliou. Côrte Real acredita que, para compensar a perda da arrecadação com o fim da CPMF, bastava o governo rever seus gastos. “A alta das alíquotas deverá se refletir em aumento das taxas de juros aos tomadores finais”, reforçou o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Armando Monteiro Neto.

Simulações

Compra de uma TV de LCD de 26 polegadas em 24 meses

Preço à vista: R$ 1.500
Taxa de juros do mês: 6%

Condição anterior do IOF de 1,5% ao ano 24 parcelas de R$ 120,85
Total: R$ 2.900,40

Condição atual com IOF de 3,0% ao ano 24 parcelas de R$ 122,29
Total: R$ 2.934,96
Variação percentual: +1,19%
Aumento na prestação: R$ 1,44
Aumento no financiamento total: R$ 34,56

Compra de um automóvel em 60 meses
Preço à vista: R$ 25.000
Taxa de juros do mês: 2%
Condição anterior com IOF de 1,5% ao ano
60 parcelas de R$ 740,25
Total: 44.415

Condição atual com IOF de 3,0% ao ano 60 parcelas de R$ 763,38
Total: R$ 45.802,80

Variação percentual: +3,12%
Aumento na prestação: R$ 23,13
Aumento no financiamento total: R$ 1.387,80

Fonte: Anefac

Fonte: Diário de Pernambuco

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