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O peso do pacote no seu bolso

4 de janeiro de 2008

SÃO PAULO – O custo com o aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) nas operações de crédito será superior ao que o consumidor vai economizar com o fim da antiga CPMF, o imposto do cheque. É o que afirma a Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), que divulgou ontem simulações de financiamento com as novas alíquotas (veja arte). Pelas regras anunciadas pelo governo para tentar compensar a perda da CPMF, o IOF passou de 1,5% para 3% ao ano.

Com a alíquota anterior do IOF, quem comprasse uma TV de 26 polegadas em 12 prestações tinha de desembolsar R$ 180,09 por mês. A conta considera uma taxa de juros de 6%. Ao final do contrato de financiamento, o consumidor teria pago R$ 2.161,08 pelo aparelho. Com o novo IOF, as prestações mensais sobem para R$ 181,38 e o total chega a R$ 2.176,56. Nesta simulação, a diferença entre o valor pago com o IOF de 1,5% e o de 3% é de R$ 15,48, quase o dobro do que o consumidor ganharia com a derrubada da CPMF (R$ 8,16).

O vice-presidente da Anefac, Miguel de Oliveira, afirmou que o prejuízo aumenta com a ampliação dos prazos de pagamento. Para provar isso, ele simulou o financiamento de um carro zero quilômetro, com preço à vista de R$ 25 mil, em 60 meses. A taxa mensal de juros considerada foi de 2%. Pelas regras antigas, o consumidor pagaria um total R$ 44.415 pelo veículo, preço que sobe para R$ 45.802,80 com a incidência do IOF de 3%. O aumento no financiamento total é de R$ 1.387,80, ou 3,12%. Para efeito de comparação, o consumidor pagaria uma CPMF de R$ 168,60.

Segundo Oliveira, os custos extras podem ser ainda mais salgados, já que ele considera provável que os bancos também repassem para o consumidor o aumento de 9% para 15% da alíquota da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) do setor financeiro. A Anefac não é a única a apostar nisso. O presidente do Conselho de Administração do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças (IBEF), Walter Machado de Barros, afirmou que a medida deverá ser compensada pelo aumento dos juros no crediário. “O pacote é frustrante, pois mostra que o governo escolheu o caminho mais fácil para compensar as perdas com o fim da CPFM.”

Para o tributarista Ives Gandra Martins, as mudanças vão afetar a camada mais pobre da população. “Vão atingir exatamente quem não tem dinheiro para comprar à vista e é obrigado a comprar a prazo. Vai atingir aqueles que têm necessidade de financiamento”, avalia.

Fonte: Jornal do Commercio

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