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Governo evita pacote antes do Natal

19 de dezembro de 2007

 

MONTEVIDÉU – Encontrar fontes alternativas de receitas e determinar cortes de gastos para cobrir a perda de R$ 40 bilhões com o fim da CPMF não são as únicas preocupações da área econômica. Para o governo, a batalha a ser ganha nos próximos dias é a da comunicação, já que a falta de um discurso unificado e focado pode fazer estrago maior do que a própria ausência da CPMF. Apesar de não terem fechado os detalhes, os técnicos da Fazenda e do Planejamento já sabem que há espaço para acomodar o buraco da CPMF no Orçamento e também que não haverá como fugir do aumento de impostos e corte de despesas. O maior problema é como embrulhar o pacote de medidas impopulares na véspera do Natal.

Ontem, ao retornar de Montevidéu, no Uruguai, o presidente Lula orientou os ministros a priorizarem os estudos de cortes de gastos no Orçamento antes de passar para a fase de aumento de alíquotas de impostos. Ele deseja que a maior parte do ajuste venha da redução de despesas, deixando uma margem menor para a elevação de tributos.

A avaliação era que o governo não pode passar a impressão de que Fazenda e Planejamento estão em lados opostos. O governo acredita que foi bem sucedido inicialmente na comunicação, ao reafirmar o compromisso com o equilíbrio das contas públicas e a manutenção do superávit primário (a economia para pagar os juros da dívida). Com isso, evitou maiores estragos no mercado financeiro. Mas é preciso entregar o que prometeu: um pacote consistente para mostrar que haverá sustentação fiscal no País.

Isso é fundamental para conseguir o selo de grau de investimento das agências de classificação de risco e assegurar o ingresso de investimentos externos. Por isso, parte da equipe econômica defende que as medidas de compensação fiquem para janeiro. Por enquanto, as primeiras previsões apontavam para um ganho de receita de R$ 12 bilhões com aumento de alíquotas e cortes da ordem de R$ 20 bilhões.

Hoje, Lula tem reunião com os ministros José Múcio Monteiro (Relações Institucionais), Guido Mantega (Fazenda) e Paulo Bernardo (Planejamento), quando o pacote será discutido. Sobre a criação de um novo imposto para financiar a saúde, Lula determinou que nada será lançado agora.

O ministro Paulo Bernardo afirmou que uma opção para reverter o rombo e cumprir o desejo do presidente de não reduzir os gastos com o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) é cortar investimentos que estão fora do programa, principalmente os adicionados ao Orçamento por emendas parlamentares.

Fonte: Jornal do Commercio

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