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Para especialistas, há tributação em excesso

16 de dezembro de 2007

 

Para o cientista político da Universidade de Brasília (UNB) e da Fundação Getúlio Vargas (FGV) Antônio Flávio Testa, a perda da receita de R$ 40 bilhões não terá grande impacto na economia. “O governo já sabia que poderia perder a CPMF sem grandes prejuízos. Há um excesso de arrecadação. Diante de um PIB de R$ 1,5 trilhão, R$ 40 bilhões é um montante irrisório”, avaliou.

Para ele, o aumento de impostos e a redução de gastos na máquina pública serão as saídas adotadas pelo Executivo. “O que podemos imaginar é que vai haver o aumento de impostos que atingem a classe média, setor mais prejudicado pelo governo. Os servidores públicos não terão aumento e deverão ser suspensas novas contratações e concursos. Além de diminuir o patamar do superávit” especulou o cientista político.

Testa avalia que a derrota da CPMF teve caráter puramente político. “A discussão é mais política do que técnica. Tanto que o PSDB já dá sinais de que pode aprovar um novo projeto de CPMF. Acredito que se o governo mandar uma nova medida provisória nos moldes do que já foi acordado, será aprovada rapidamente. Foi uma estratégia para minar os programas sociais do governo e tentar tirar votos do PT”, finalizou.

O economista e especialista em contas públicas Raul Veloso tem outra posição. Para ele a situação do governo é muito difícil. “Como o valor é muito alto, no primeiro momento, o governo deve suspender a liberação de verbas que não sejam obrigatórias, ou seja, investimentos. Também deve tentar aumentar alíquota de impostos que não precisarem passar pelo Congresso, como o IOF, IPI e Contribuição sobre Lucro. Por último, reduzir o superávit”.

Na avaliação de Veloso, o Orçamento dá pouca flexibilidade para o Executivo e o corte de receitas vai repercutir diretamente no crescimento da economia do País. “Isso porque mexe com investimentos, a exemplo do PAC. Tudo fica prejudicado”, concluiu.

Fonte: Folha de Pernambuco

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