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Reles sonegadores – Diário Econômico

9 de dezembro de 2007

 

O empresário brasileiro tem no governo um sócio indesejado, exigente e gastador, que se não lhe toma a maior parcela do seu esforço é porque transfere boa parte dessa participação societária para o consumidor final. Ou com artifícios contábeis que coloca muita gente nos limites da ilegalidade.

A mobilização que o empresariado faz pelo fim da CPMF é a parte visível desse esperneio. É a pressão de quem produz, paga seus impostos e contribui decisivamente para o sócio perdulário usar e abusar de máquinas de voar dignas de potentados árabes, mordomias exageradas longe do público e da ética.

A parte invisível dos insatisfeitos surge vez por outra nas páginas policiais. São os sonegadores, os intermediários de fraudes, os vencedores de licitações fajutas, os fornecedores da máquina governamental. Espremido entre os dois está o consumidor que, forçado ou não, carrega a carga tributária sem ter como escapar nem do imposto do cheque, nem das garras do leão. É em nome de quem o sócio maior deveria funcionar, mas o consumidor termina sem direito sequer à contrapartida que aquele perdulário tem o dever de proporcionar. Através dos serviços de saúde, direito à educação, e certeza da segurança. Bens tão longínquos quanto as promessas eleitorais.

E ainda tem que ouvir as acusações do presidente da República de que quem pede o fim da CPMF é um reles sonegador.

Fonte: Diário de Pernambuco

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