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Adulteração no combustível atormenta pernambucanos

22 de agosto de 2007

 

Seu carro tem dificuldade de ignição, engasga com facilidade, perde a potência sem mais nem menos ou “bebe” demais? O problema pode estar dentro do tanque de combustível. Mesmo com a queda nos índices de adulteração no estado nos últimos anos, os pernambucanos ainda enfrentam problemas na hora de abastecer com gasolina ou álcool. A estudante de publicidade Pamella Brandão sofreu depois que encheu o tanque com gasolina no começo do mês em um posto no Pina. Ela estava a caminho do Shopping Recife e o carro foi “engasgando” até o destino. “Não foi normal. O carro nem flex é. Então não pode ter sido por mudança de combustível”, contou a estudante. A situação só melhorou depois que ela abasteceu outra vez (em outro posto).

Apesar de não poder comprovar, Pamella acredita que houve adulteração da gasolina. Nestes casos, o governo também sai perdendo, já que este tipo de irregularidade geralmente está associado com a sonegação fiscal. Para evitar a queda na arrecadação, que este ano já chega a 7,4%, a Secretaria daFazenda vai revalidar a parceria com a Agência Nacional do Petróleo (ANP) para realizar operações de fiscalização e implantar um selo químico de marcação dos combustíveis. Ontem, o governador Eduardo Campos apresentou no Rio de Janeiro o projeto do marcador ao diretor-geral da ANP, Haroldo Lima, que aprovou a idéia. Na próxima segunda-feira, Lima virá ao Recife assinar a renovação da parceria, informou o secretário estadual de Imprensa, Evaldo Costa.

O secretário executivo da Fazenda, Roberto Arrares já havia anunciado na semana passada que 90% dos auditores estarão “focados” no segmento de combustíveis (produção, distribuição e revenda) nos meses de setembro e outubro. O gerente de combustíveis da Fazenda, Marcos Aurélio Aragão, disse que, durante os primeiros meses, o selo químico deve ser usado no mercado de álcool, “o de mais frágil controle”. Ele estimou que, pelo menos 2 milhões de litros do produto são vendidos no estado de forma irregular. Aragão disse ainda que as operações – que serão intensificadas nos próximos dois meses – já começaram em agosto. “Até lacramos bombas de alguns postos”, comentou o gerente de combustíveis.

Monitoramento – O marcador foi desenvolvido pelo Laboratório de Combustíveis (LAC) da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), que realizou testes em algumas distribuidoras e postos do estado. O LAC já é responsável pelo monitoramento da ANP em Pernambuco e nos estados de Alagoas e Sergipe. “A implantação do marcador será importante porque vai reduzir a sonegação, melhorar a qualidade e dar maior segurança aos consumidores”, garantiu o professor Luiz Strangevitch, coordenador do Laboratório de Combustíveis. As não conformidades serão informadas à Secretaria da Fazenda. Segundo Strangevitch, o LAC já tem tecnologia para colocar o marcador no gasolina e no óleo diesel também.

Fonte: Diário de Pernambuco

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