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O importante é não atrapalhar

12 de agosto de 2007

Neste momento de turbulência internacional, os economistas alegam que os bons fundamentos da economia brasileira não serão atingidos, pois o nível de reserva do Banco Central é muito grande, com mais de US$ 150 bilhões em caixa. Ou seja, mesmo que haja uma eventual fuga de investimentos, o governo terá como honrar o pagamento dos títulos públicos que hoje atraem aplicadores internacionais. Por conta disso, a escalada de redução de juros básicos da economia dificilmente terá uma mudança de curso.

É consenso, também entre os especialistas, que economia estabilizada não garante crescimento econômico. Para o Brasil crescer e deixar de ser o eterno país do futuro é necessário uma coisa simples e ao mesmo tempo muito complicada: o governo precisa parar de atrapalhar. Um desses obstáculos, colocado pelo próprio agente público, é justamente a famigerada alta carga tributária que, pelo andar da carruagem, continuará por muito tempo em movimento ascendente.

Isso porque as despesas correntes – que são aquelas referentes ao pagamento de salários dos servidores, aposentadorias e todos os outros gastos para o funcionamento da máquina – está longe de ser equacionado. A começar pelo inchaço da máquina pública, que tomou grandes proporções durante o governo Lula, e pela falta de reformas básicas, como a da Previdência – que hoje tem um rombo equivalente a 7% do Produto Interno Bruto (PIB). Para o economista Jocildo Bezerra, essas mudanças ainda não foram implementadas porque há muitos interesses conflitantes nesse processo. O resultado disso é que, como o governo não controla os gastos, a solução é aumentar os impostos.

É bem verdade, lembra o economista, que a proposta da atual administração é neutralizar, pelo menos, o peso da folha de pessoal em relação ao PIB nos próximos 10 anos, reduzindo este peso de 5% para 3,2%. “Dois pontos percentuais em relação ao PIB é muito dinheiro”, avalia.

O problema é que, enquanto isso não acontece, aumenta as dificuldades de investimento do setor privado. O País que exporta commodities, precisa vender inteligência e valor agregado. Ao invés do aço, por que não o parafuso? Ao invés da fruta, por que não o suco vitaminado? Precisamos de mais empresas como Embraer, Gerdau, Positivo Informática, que criam e trazem divisas e empregos.

É certo que a iniciativa privada ainda carece de um maior interesse pela inovação, mas o crescimento não deveria ser atrapalhado. Um exemplo disso é o SuperSimples, criado para reduzir a carga tributária das pequenas empresas, mas que em alguns casos até piora, ou vem cheio de exceções, que fica difícil até mesmo entender como se pode cumprir a obrigação de pagar tributos.

Fonte: Jornal do Commercio

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