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RFFSA é extinta e dívida perdoada
28 de janeiro de 2007A extinção da antiga Rede Ferroviária Federal (RFFSA), incluída no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), acaba com uma parte da memória da ferrovia do Brasil e perdoa uma dívida de cerca de R$ 16 bilhões. O passivo estava sendo levantado pela equipe à frente da liquidação da ex-estatal, segundo o diretor da Associação dos Engenheiros Ferroviários do Nordeste, Jaime Barbosa, que trabalhou na antiga RFFSA entre 1987 e 1999. “Há uma discordância muito grande entre os valores da dívida da RFFSA e o que foi estabelecido pela Medida Provisória (MP) nº 353, que colocou um débito a receber de R$ 2,5 bilhões (para a RFFSA)”, comentou. A RFFSA foi fundada em 1957 e herdou “o patrimônio ferroviário” construído primeiro pela companhia inglesa Great Western e depois pela Rede Ferroviária do Nordeste.
A dívida de R$ 16 bilhões é formada por vários débitos que a RFFSA teria a receber de grandes empresas e até de algumas administrações estaduais, incluindo R$ 7 bilhões de dívidas que resultam de processos movidos pela RFFSA. “Somente da Companhia Vale do Rio Doce está sendo cobrada uma dívida de R$ 1 bilhão referente ao tempo em que a empresa operou junto com a RFFSA”, comentou Barbosa, que hoje é aposentado. Ele saiu da RFFSA num plano de desligamento voluntário feito pelo governo federal antes de privatizar as ferrovias.
As concessionárias do serviço ferroviário devem cerca de R$ 600 milhões à RFFSA, de acordo com informações da Federação, que também informou que o governo de São Paulo tem um débito de R$ 800 milhões com a ex-estatal, contraída na época em que a Ferrovia Paulista S.A. (Fepasa) foi incorporada à rede. “Essa extinção também é ruim porque não vai ser concluído um levantamento sobre o patrimônio ferroviário que estava em andamento”, argumentou Barbosa.
Antes das concessões realizadas em 1996, a RFFSA atuava em 19 Estados e tinha uma malha ferroviária de 22 mil quilômetros, que correspondiam a 73% de todas as ferrovias do País. O patrimônio da estatal incluia locomotivas, linhas férreas, estações ferroviárias e terrenos. Somente no Recife, a rede é proprietária de uma área grande próxima ao Cais José Estelita.
Barbosa disse que a atual extinção está sendo “quase idêntica” a que o governo federal tentou fazer em 2005 via medida provisória. Na época, a MP não foi aprovada pelo Congresso. Agora, os funcionários da atual RFFSA vão para uma empresa chamada Valec, criada para fazer a operação da ferrovia Norte-Sul e que também está
Com a extinção, o patrimônio não operacional da RFFSA vai para o Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes (Dnit). “Somos a favor da extinção da RFFSA, mas queremos que ela receba tudo que era devido”, contou Barbosa. A liquidação da RFFSA foi iniciada em 17 de dezembro de 1999 e foi prorrogada 14 vezes.
HISTÓRICO – Quando foi inaugurada, a RFFSA juntou 18 ferrovias regionais que existiam no Brasil, como a antiga Rede Ferroviária do Nordeste que funcionava
A RFFSA transportava passageiros e carga. Com a diminuição dos investimentos na ferrovia, o transporte de passageiros foi desativado aos poucos, inclusive por causa da quantidade de acidentes que aumentaram.
O processo de privatização foi iniciado em 1992, quando a rede passou a fazer parte do Programa Nacional de Desestatização do governo federal. A rede foi dividida em seis grandes lotes que passaram a ser administrados pela iniciativa privada, entre 1996 e 1998, sob a forma de concessão por um período de 30 anos.
Fonte: Jornal do Commercio
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