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Eduardo vai anunciar um “controle rígido”
16 de janeiro de 2007
No que depender do acirramento político entre o governo Eduardo Campos (PSB) e a gestão Jarbas/Mendonça Filho (PMDB/PFL), a apresentação do diagnóstico financeiro do Estado deverá funcionar como mais uma etapa do terceiro turno eleitoral. O anúncio da situação dos cofres públicos acontecerá às 14h, no Palácio, com a presença de todos os secretários. A atual gestão também deverá anunciar ações para garantir a capacidade de investimentos, o que não deve gerar, no entanto, medidas drásticas, como quebra de contratos ou corte de pessoal. Ao invés disso,Eduardo Campos deverá comunicar que o governo enfrentará “quatro meses de controle rígido”.
O governador já antecipou que assumiu com o “caixa apertado” e que enfrentaria uma “pedreira” – ao contrário do que dizem seus antecessores. Correligionários, entretanto, afirmavam, ontem, que não queriam dar ao anúncio dos números uma conotação política. Nesse sentido, a apresentação dos dados será feita pelos secretários Djalmo Leão, da Fazenda, e Ricardo Dantas, da Controladoria, a fim de evitar que o próprio governador entre na polêmica dos números.
De acordo com Leão, a equipe que elabora o balanço está trabalhando apenas com o que há “em caixa”, e não com os recursos provenientes dos convênios. “O pessoal está levantando o que há disponível hoje para o Executivo trabalhar e o que já está comprometido. É recurso menos despesa”, explicou.
Embora as informações tenham sido mantidas em segredo até a noite de ontem, já se sabe que o governador vai reforçar o pedido para que a equipe “segure” as despesas, um desafio para quem tem promessas de campanha a cumprir. Segundo um governista, deverá ser estabelecido um limite para os contratos e a prioridade de gastos é com a contrapartida de convênios. Como alternativa, a gestão deverá recorrer à bancada federal, para garantir recursos da União, além de buscar outros convênios. Com esse objetivo, amanhã, o governador se reúne, em Brasília, com o Banco Mundial.
“Já estamos trabalhando com um controle severo das finanças. A orientação do governador, desde o início, foi para ser eficiente, segurando gastos. Há uma preocupação grande com a qualidade das despesas”, disse o secretário de Administração, Paulo Câmara. A idéia é fazer esse “controle severo” durante os quatro primeiros meses e, em seguida, avaliar os resultados.
A expectativa é que o conteúdo do balanço reafirme o discurso nada amistoso da transição, quando a equipe do novo governo divulgou que os cofres públicos estariam em piores condições que as anunciadas pela administração Jarbas/Mendonça Filho. “Como o governador ainda não tinha feito alarde, alguns adversários estavam se utilizando disso para dizer que o Estado estava equilibrado. Agora será feito o relato da real situação”, revelou uma fonte.
E o clima vai esquentar
Depois de uma trégua de 16 dias, o governador Eduardo Campos promove hoje o primeiro embate direto com os ex-governadores Mendonça Filho e Jarbas Vasconcelos ao voltar à questão que tanto marcou a campanha e o período da transição: o dinheiro deixado em caixa pelos adversários. Eduardo sempre enfatizou que a situação financeira do Estado era delicada. Quando foi eleito, recebeu os primeiros números e foi mais além: falou que o quadro era de “frágil equilíbrio”. O suspense chega ao fim hoje, com a abertura dos cofres públicos e a divulgação do relatório das finanças, redigido cuidadosamente pela equipe do governo desde a semana passada.
Para mostrar que essa é uma questão de Estado, Eduardo revela os números depois de se reunir, no Palácio, com secretários e assessores. O objetivo do governador é rebater um dos principais motes do discurso da oposição, alimentado desde o primeiro governo Jarbas: que o ex-governador Miguel Arraes, avô de Eduardo, deixou o Estado sem dinheiro e endividado ao final da terceira gestão (95/98), o que não teria ocorrido agora.
Apesar de tudo, o governador insiste em dizer que não está politizando o debate. Os assessores de Jarbas e Mendonça sabem que isso é conversa para criancinha dormir. Já avisaram que estão prontos para rebater qualquer tipo de denúncia. O terceiro turno da campanha começou com força total.
Fonte: Jornal do Commercio
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