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Plano de saúde expulsa idoso
4 de setembro de 2006
Não é segredo que os planos de saúde são caros no Brasil, onde a renda média ainda é baixa. Tanto é que pouco mais de dois em cada 10 brasileiros consegue pagar por um. Mas o efeito da progressão geométrica dos preços em relação à idade dos beneficiários tem causado estragos consideráveis. É cada vez menor a presença de pessoas com mais de 59 anos entre os clientes desse mercado. Segundo uma pesquisa da Strategy, consultoria especializada do setor, entre 1998 e 2005 essa participação caiu de 23% para 8%.
A avaliação tem como base a mudança provocada pela regulamentação do setor – que entrou em vigor em 1999 – e a separação do mercado de planos de saúde em dois: de um lado, os planos antigos, aqueles contratados antes de 1999. De outro os planos novos. Os primeiros eram mais baratos, até porque não havia regras específicas para os planos de saúde e era possível oferecer um produto com poucas coberturas. Nesse universo, 23 de cada 100 clientes eramidosos. Já os novos precisam seguir as especificações da Lei 9.656/98 e garantir a cobertura completa a todos os beneficiários, inclusive para tratamentos de hemodiálise, câncer e Aids, apenas para citar alguns procedimentos que eram ignorados nos contratos antigos.
A segurança para quem conseguiu se manter em uma das operadoras desse mercado é claramente maior. Mas nos planos novos, apenas oito em cada 100 beneficiários têm mais de 59 anos. “A partir de 1999, todos os planos de saúde passaram a ser mais abrangentes e, por causa disso, ficaram mais caros”, explica Raquel Marimon, coordenadora do Anuário de Custos de Planos de Saúde, elaborado pela Strategy.
Num país onde é comum às famílias se esforçarem para sustentar o plano de saúde dos parentes mais velhos, a elevação dos preços virou lugar comum. A secretária Angela Martins de Sousa, que há 17 anos arca com a saúde da mãe, se viu obrigada a encontrar uma alternativa às mudanças de preço por faixa etária. “Quando minha mãe passou da faixa dos 60 anos, o pulo na mensalidade foi um susto. Me vi precisando destinar 80% do salário para manter o plano. Não deu”, conta. “Há dois anos, encerrei o contrato. Hoje eu deposito R$ 300 por mês numa aplicação financeira e com esse dinheiro minha mãe faz os exames e o acompanhamento médico que precisa”, explica Angela.
Fonte: Diário de Pernambuco
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