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Dívida pública supera a marca de R$ 1 trilhão
25 de julho de 2006
BRASÍLIA – Depois de dois meses seguidos de queda, a dívida pública em títulos federais voltou a subir e ultrapassou, novamente, a marca de R$ 1 trilhão. Em junho, o valor total de papéis no mercado cresceu 1,7%, impulsionado principalmente pelo peso dos juros, que elevaram o estoque em R$ 10,5 bilhões. A dívida fechou o mês em R$ 1,016 trilhão.
Também contribuiu para esse aumento a emissão líquida de títulos realizada pelo Tesouro Nacional. Apesar da volatilidade, que continuou atormentando o mercado financeiro em junho, houve melhora no cenário doméstico, e o Tesouro encontrou espaço para vender R$ 6,5 bilhões em títulos além do volume de papéis resgatado.
“Houve bastante volatilidade. O mercado continuou acompanhando as condições do mercado externo, que ainda está fortemente caracterizado pelas incertezas sobre a política de juros americana”, afirmou o coordenador de Operações da Dívida Pública, Manuel Augusto Silva. O cenário doméstico, no entanto, foi mais benigno.
O resultado disso é que, em junho, o Tesouro acabou promovendo uma forte colocação (líquida) de títulos prefixados (R$ 20,4 bilhões) e um resgate (líquido) de papéis atrelados à taxa Selic (R$ 13,2 bilhões). “Isso melhorou a composição da dívida. Avançamos um pouco mais na nossa estratégia de prefixação da dívida”, afirmou.
Para o governo, quanto maior a parcela de títulos prefixados, melhor. Isso garante previsibilidade à administração da dívida, pois evita surpresas com eventuais elevações dos juros. No mês passado, a fatia dos papéis prefixados subiu de 29,6% para 31,5%. A participação de títulos corrigidos pela Selic caiu de 44,1% para 42,5%.
Esses percentuais não consideram as chamadas operações de swap cambial realizadas pelo Banco Central. Nesse tipo de operação, o BC recebe juros e paga ao investidor a variação cambial. Levando em conta todos os instrumentos cambiais, atualmente o governo é credor de dólares no mercado.
Em junho, porém, essa posição credora foi reduzida de R$ 17,9 bilhões para R$ 14,6 bilhões. O chefe do Departamento de Operações do Mercado Aberto do BC, Ivan de Oliveira Lima, disse que o principal motivo para isso ter acontecido foi a realização em maio de novas emissões de swap cambial.
Tais operações foram liquidadas em junho, afetando o resultado da dívida do mês. Além disso, diz Lima, houve valorização de 5,9% do real em relação ao dólar. A expectativa é que a posição credora se reduza ainda mais em julho.
Em junho, o prazo médio de vencimento dos títulos emitidos no mês caiu de 33 meses para 30,2 meses. Esse movimento se deve ao fato de o governo ter emitido, liquidamente, um volume expressivo de títulos prefixados, que têm prazo mais curto. Some-se a isso a pequena venda de papéis corrigidos por índices de preços (NTN-B), que são a ferramenta mais eficaz do Tesouro para alongamento da dívida pública.
Fonte: Jornal do Commercio
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