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Sobra de 2005 eleva conta de luz
11 de abril de 2006
BRASÍLIA – O aumento da tarifa de energia elétrica decidido no ano passado permanece como um fantasma na vida do consumidor de Pernambuco. Ele deve anular parte dos ganhos que a população teria com a queda da inflação e o dólar mais barato. Esses itens reduziram em 10% os preços de um terço de tudo o que a Companhia Energética de Pernambuco (Celpe) fornece. O problema é que o consumidor ainda tem que quitar uma sobra do reajuste de um ano atrás. O aumento de maio de 2005 foi tão elevado que precisou ser parcelado. No ano passado já foram cobrados 24,43% médios. Ficaram 8,11%, divididos em três vezes iguais. A primeira parcela, cerca de 2,7%, começa a ser cobrada já neste ano, a partir do final de abril, quando a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) define o novo aumento da Celpe.
São esses 2,7% que devem anular ganhos que o consumidor teria com a queda nos custos de produção da Termopernambuco, termelétrica instalada no Estado. A usina responde por um terço de tudo o que a Celpe vende e foi a responsável pela alta da luz no ano passado. Mas agora o preço dela caiu bastante, segundo anunciou ontem Marcelo Corrêa, presidente do Grupo Neoenergia, que controla a companhia pernambucana. O megawat-hora produzido na Termopernambuco baixou de R$ 137,00 para cerca de R$ 124,00, de acordo com técnicos da companhia. Isso graças a um dólar menor e à queda do Índice Geral de Preços de Mercado (IGP-M), componentes com peso elevado nas tarifas da térmica.
Marcelo Corrêa fez questão de apontar essa queda como um fator positivo no cálculo do novo reajuste. Para ele, o índice poderia ser maior se não fosse os ganhos obtidos na Termopernambuco. Mas Corrêa se recusou a antecipar o valor do aumento pedido pela Celpe. Esse número é mantido em sigilo também pela Aneel. O presidente da agência, Jerson Kelman, disse que sequer chegou a ver a proposta encaminhada pela companhia pernambucana. “Ainda teremos uma reunião de diretoria para discuti-la”, afirmou. A reunião deverá ocorrer antes do dia 29, limite para entrada em vigor das novas tarifas.
O presidente da Aneel foi evasivo ao comentar as pressões dos consumidores pernambucanos sobre os reajustes autorizados para a Celpe. Disse que a agência sempre leva em consideração “o interesse do consumidor”. Mas recusou-se a afirmar se isso significaria aumento menor. Segundo Kelman, é preciso conciliar o desejo de ter uma tarifa baixa com a necessidade de o sistema ser auto-sustentável – ou seja, ser rentável o suficiente para assegurar os investimentos necessários à manutenção da empresa.
Fonte: Jornal do Commercio
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