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Mantega reafirma discurso
6 de abril de 2006
Brasília – O ministro da Fazenda, Guido Mantega, reafirmou ontem a unidade de discurso do governo em relação à condução da política econômica, à ênfase no controle das despesas e geração do superávit primário e ao processo de aumento das reservas cambiais. Segundo ele, “quando for oportuno”, o Banco Central continuará com a política de recomposição das reservas internacionais.
“É desejável que o Brasil tenha um volume considerável de reservas. Acho que nós já temos”, disse Mantega em resposta ao vice-diretor do Fundo Monetário Internacional (FMI), Agustin Carstens, que na terça-feira defendeu um aumento do nível das reservas cambiais brasileiras por considerar que o nível atual – cerca de US$ 60 bilhões – não é suficiente no caso de uma eventual crise de liquidez internacional.
“Nós continuaremos na trajetória que vinha sendo seguida em relação às reservas. Quando for oportuno e o preço for conveniente, o Banco Central e o Tesouro poderão adquirir reservas”, disse o ministro após solenidade de posse do novo presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Demian Fiocca. Mantega lembrou que as reservas brasileiras estão três vezes maiores que as encontras no início do governo Lula em 2003.
O ministro disse que não compartilha da preocupação dos analistas de mercado sobre uma possível falta de liquidez global e descartou que o movimento de alta das taxas de juros americanas afeta o Brasil. “Uma pequena elevação de juros do Fed (Banco Central dos Estados Unidos) não afeta ao Brasil. Não houve nenhuma repercussão”, disse. “O Brasil é um país sólido, reúne condições excepcionais e apresenta excelentes oportunidades para aqueles que acreditam no Brasil e querem investir aqui”.
Além de reafirmar que não há mudanças na política econômica, Mantega traçou um panorama positivo para o desempenho da economia brasileira: previu um crescimento de 4,5% do Produto Interno Bruto (PIB) este ano, puxado pelo bom desempenho da atividade industrial e garantiu que a meta de superávit primário, de 4,25% do PIB, será cumprida. “Eu sou o fiador do superávit primário”, afirmou Mantega. O próprio ministro tomou a iniciativa de comentar os dados recentes do crescimento da produção industrial no primeiro bimestre deste ano.
O ministro previu que, em 2006, a indústria deve crescer 6% e que esse resultado já garantiria uma expansão de 4,5% do PIB brasileiro. Ele avaliou como favorável o crescimento do setor de bens de capital que, na avaliação dele, reflete o fortalecimento do mercado interno e a melhora do nível de emprego.
Fazenda prevê crescimento de 4,5% do Produto Interno Bruto este ano, puxado pelo bom desempenho da atividade industrial
Fonte: Diário de Pernambuco
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