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Burocracia e carga tributária inibem novos projetos
4 de abril de 2006
Assim como os investidores nacionais, os estrangeiros reclamam de problemas como o excesso de burocracia e a carga tributária alta na hora de aplicar recursos no País. Mas essas dificuldades somam-se a outros fatores que podem inibir um empreendedor acostumado com padrões elevados de qualidade. Para alguns especialistas, as falhas na segurança pública são o problema mais grave, outros, criticam a carência de mão-de-obra capacitada e a infra-estrutura.
“O calçamento e o saneamento básico são precários. Minha filha, que mora na França, veio me visitar e ficou horrorizada com a quantidade de lixo que tinha na praia”, revela o francês Xavier Huvelin, proprietário da Pousada do Galo, em Porto de Galinhas, em Ipojuca. “A prestação de serviços aqui é péssima. A gente chama alguém para consertar alguma coisa e a pessoa demora dias para atender ao nosso pedido”, completa outro investidor de Porto de Galinhas, o suíço Jean-Marc Panchaud, proprietário da Pousada Som da Ondas.
Os grandes grupos de investidores reclamam sobretudo dos entraves burocráticos e não entendem o famoso “jeitinho brasileiro”. “Existe um desentendimento entre as entidades públicas. A aprovação de um projeto demora muito tempo. As autoridades do Brasil têm que entender que os investimentos são voláteis. Assim como estamos investindo aqui podemos aplicar dinheiro em outra parte do mundo”, pondera o administrador-executivo do grupo português Oásis Atlântico, Mário Antão, que está investindo R$ 300 milhões no litoral do Ceará.
A falta de sintonia entres os governos federal, estadual e municipal também é percebida pelo diretor-presidente do grupo português Dorisol, Antônio Jardim Fernandes. “A carga fiscal que encontramos aqui é bem maior do que esperávamos. Outro custo pesado é o da energia elétrica”, completa. As críticas do empresário foram feitas durante sua palestra na primeira edição do Encontro Internacional de Investimentos Turísticos e Imobiliários no Nordeste Brasileiro (Nordeste Invest 2006), que ocorreu no mês passado, em Maceió (Alagoas). O Dorisol está construindo e deve inaugurar até o final do ano um resort em Porto de Galinhas, no litoral sul pernambucano.
TURISTAS – O sócio-diretor da consultoria de empreendimentos hoteleiros e imobiliários CJ&N, Caio Calfat Jacob, destaca que a principal reclamação dos turistas é a ausência de sinalização nas ruas das principais cidades do Nordeste. É a barreira lingüística. “Eles reclamam que muito pouca gente fala outro idioma como inglês e espanhol.” Apesar da simpatia dos trabalhadores, comenta, a escassez de mão-de-obra capacitada incomoda os estrangeiros. Para ele, outro problema está na falta de segurança.
O presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH Nacional), Eraldo Alves da Cruz, ressalta a exigência do turista estrangeiro. “Não adianta sorriso e simpatia, tem que ser polivalente e ter competência.”
Fonte: Jornal do Commercio
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