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569 mil desempregados no Estado

18 de agosto de 2016

Desde que perdeu o emprego em uma empresa de telemarketing, ano passado, Roberta da Silva Batista ainda não conseguiu uma nova vaga. Como o marido também está desempregado, ela começou a vender doces e salgados para festas, mas o pouco apurado mensalmente não chega nem a cobrir as despesas como aluguel e os três filhos pequenos do casal. “Acabei de sair de uma entrevista, sem sucesso”, lamentou.

A vida sacrificada de Roberta se iguala à realidade de muitos pernambucanos. Com índices de desemprego alarmantes, o Estado apresentou uma das maiores taxas de desocupação do País no segundo trimestre deste ano, chegando a 14% – atrás apenas do Amapá (15,8%) e da Bahia (15,4%), de acordo com a Pnad do IBGE. Já são569mil desempregados no Estado, um crescimento expressivo no comparativo com o mesmo período do ano passado, quando a taxa era de 9,1%, o equivalente a 371 mil desempregados.

Pernambuco superou, inclusive, a média nacional de 11,3%, representando 11,5milhões de desempregados, e do Nordeste, com 13,2%. Na Região Metropolitana do Recife (RMR), a taxa de desocupação chegou a 14,6% e, no Recife, 11,6%. “O desemprego em Pernambuco é mais forte na RMR do que no Interior”, contextualizou o coordenador de trabalho e rendimento do IBGE, Cimar Azeredo. Dentro dos índices nacionais, as mulheres e os mais jovens foram destaques. Elas superaram os homens representando 50,9% do contingente total (inferior apenas no Nordeste, com 48,4%). Os mais jovens também são maioria. Os adultos de 25 a 39 anos representam a maior parcela de desocupados (35%).

No resultado do Estado, o desempenho do emprego na indústria, agricultura e dos empregos terceirizados tiveram forte influência. Somente a indústria teve variação de -12,8% em relação ao mesmo período do ano passado. Na agricultura, a queda foi de 18% e no segmento de informação, comunicação e atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas, houve retração de 24,1%, muito relacionado também às atividades terceirizadas. “Os índices são reflexo da retração econômica nacional. Foram menos 126 mil postos de trabalho com carteira assinada em Pernambuco, comparado ao mesmo intervalo do ano passado”, explicou Azeredo. “O comportamento negativo também pode ser reflexo das demissões em Suape”, complementou o presidente do Conselho Nacional de Economia, Julio Miragaya.

Com o encerramento de vagas, os índices do trabalho por conta própria cresceram quase 50% no período. Há três anos sem trabalho com carteira assinada, Carlos César Santos, 30 anos, não tem formação profissional e vive das rendas que consegue como autônomo. “Pego o serviço que aparecer. Sempre procuro emprego com carteira assinada, mas está difícil”.

Fonte: Fonte: Folha de Pernambuco

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