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Tarifa congelada até janeiro

1 de agosto de 2014

A garantia é do secretário estadual das Cidades, Evandro Avelar, representante do governo de Pernambuco no assunto: não haverá repasse do reajuste concedido aos rodoviários para as passagens de ônibus da Região Metropolitana do Recife. Uma possível majoração será discutida apenas em janeiro de 2015, como está previsto nos novos contratos do sistema, licitado entre o fim de 2013 e início deste ano. Ou seja, o valor da passagem continuará o mesmo. "O aumento faz parte da relação empregado e empregador. Eles sentaram à mesa e negociaram. Isso está resolvido. Nós (o Estado, gestor do sistema de transporte na RMR) não temos nada a ver com isso", afirmou, ontem, depois dos três dias da greve dos motoristas, cobradores e fiscais do Grande Recife.

Com o movimento, os rodoviários conquistaram uma vitória histórica, seja pelo aumento de 75,43% do tíquete-alimentação (passou de R$ 171 para R$ 300) ou pelo fato de a greve ter sido julgada legal pelo Tribunal Regional do Trabalho (TRT) da 6ª Região. E, ainda, conseguiram o reajuste de 10% nos salários, que há pelo menos três anos eram majorados, no máximo, pelo índice da inflação. Além de não ter repassado o aumento para as tarifas de ônibus, o secretário das Cidades garantiu que não haverá mudanças no serviço, com diminuição da oferta de ônibus como forma de reduzir custos e equilibrar o sistema.

"Nós garantimos. É claro que vai chegar um momento em que o equilíbrio financeiro do sistema será avaliado e, nesse caso, o custo do reajuste da folha de pagamento será incluído, assim como os outros custos e seus respectivos aumentos. Tudo será avaliado e o governo decidirá o que fazer: se subsidiará, optará por repassar à tarifa ou se encontrará outra alternativa. Não há problema nisso. Mas temos o tempo certo para essa discussão e ele não é agora. Não estamos mais no tempo de compensar a elevação do custo do setor com o aumento da passagem", avisou.

O secretário deu a declaração depois de ser indagado sobre o equilíbrio financeiro do setor, que está operando no negativo. A receita não está sendo suficiente para cobrir os custos. O sistema movimenta R$ 80 milhões por mês e a renda obtida, considerando os custos de operação e o rendimento do empresariado, não tem sido suficiente para cobri-la.

Pelos números divulgados pelo setor empresarial, seria necessário o subsídio mensal de R$ 16 milhões para equilibrar a conta. "Os números do sistema estão sendo analisados e tudo será considerado. Temos regras claras a serem cumpridas e, se a receita for insuficiente, o governo terá que tomar uma decisão, encontrar uma alternativa. Mas houve desonerações importantes do setor que precisam ser consideradas", lembrou.

As regras estabelecidas pela licitação do sistema definem que as passagens de ônibus do Grande Recife serão majoradas apenas pelo IPCA e uma única vez ao ano, sempre no mês de janeiro. Já a planilha de custo, onde incidem todos os insumos que compõem a operação do sistema (como diesel, pneu, manutenção e folha de pagamento), será revista a cada quatro anos.

Fonte: Jornal do Commercio

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