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Sobra para quem ganha menos

14 de agosto de 2014

Mais da metade da arrecadação tributária do país é sustentada pelos brasileiros com menor renda. Um estudo do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT) mostra que 53,8% do montante que entra nos cofres públicos é bancado por contribuintes que ganham até três salários mínimos, ou R$ 2.172.

A parcela de brasileiros nessa faixa de renda representa, conforme o IBPT, 79% da população total do país. As pessoas que possuem rendimento mensal entre três e cinco mínimos respondem por 12,5% da arrecadação, e as que recebem entre cinco e 10, por 16%.

“Isso acontece porque o nosso país tem um sistema tributário concentrado no consumo. E no consumo não existe diferenciação entre o pobre e o rico na hora de cobrar o imposto. Dessa forma, o impacto do tributo é maior para as pessoas com renda menor”, explicou o presidente do IBPT, João Eloi Olenike. Ele observa ainda que este não é o padrão dos principais países do mundo, que tributam o crescimento da renda. “Mas como o Brasil é essencialmente pobre, se for tributar só ganhos de renda, a arrecadação vai ser baixa. E o governo precisa de arrecadação alta para fechar as contas”, diz.

O estudo considera para o cálculo a arrecadação de R$ 1 trilhão, montante médio pago pelos contribuintes entre janeiro e abril de 2014, segundo o “impostômetro” do IBPT. O país atingiu esse meta neste ano 15 dias antes do que em 2013.

Grupos de consumo
Com base nos dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o IBPT concluiu que, além dos gastos com habitação, responsáveis pela maior parte do montante arrecadado aos cofres, 42,43%, os com transportes (23,81%) e alimentação (14,73%) são os que mais alimentaram as contas públicas.

A pesquisa do IBPT foi feita com base no Censo 2010 e na Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Fonte: Diario de Pernambuco

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