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Refinaria vale quase duas Copas

19 de junho de 2014

Pelas contas do Portal da Transparência, os investimentos para realizar a Copa no Brasil estão na casa dos R$ 25 bilhões. Todo esse custo do Mundial, que virou motivo de protestos Brasil afora, não seria suficiente para pagar a construção da Refinaria Abreu e Lima (Rnest). Erguida pela Petrobras no Complexo de Suape, a unidade de refino está orçada em US$ 20 bilhões (o equivalente a R$ 44,6 bilhões pela cotação de ontem). Isso quer dizer que o gasto na refinaria daria para fazer investimentos de infraestrutura para quase duas Copas (1,7 para ser exato).

A Agência Internacional de Energia (AIE) – organização autônoma integrada por 20 países para acompanhar o setor energético – divulgou que a construção da Rnest vai custar até três vezes mais que qualquer projeto com capacidade similar no resto do mundo. A comparação com a Copa dá a dimensão da explosão dos custos na refinaria. Os R$ 25 bilhões investidos no Mundial foram usados em obras de infraestrutura nas 12 cidades-sede, incluindo construção e reforma de estádios, reforma de aeroportos, comunicação, segurança pública, telecomunicações, portos, centros de treinamento, mobilidade urbana e desenvolvimento turístico. Enquanto R$ 44,6 bilhões serão destinados a um único empreendimento.

Irregularidades da compra da refinaria de Pasadena, no Texas, e na construção da Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, motivaram a criação da CPI da Petrobras e viraram caso de polícia. O ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, foi preso acusado de envolvimento na Operação Lava-Jato, da Polícia Federal. Um dos principais responsáveis pelo processo de implantação da Rnest, o engenheiro disse, em entrevista à imprensa nacional, que a construção da refinaria foi feita com base em uma "conta de padeiro". Ele acusou a Petrobras de começar a obra sem um projeto definido, o que teria feito o custo multiplicar quase dez vezes, de US$ 2,5 bilhões para US$ 18,5 milhões (número citado pelo ex-diretor antes do levantamento do novo reajuste de valor divulgado pela AIE).

O Tribunal de Contas da União (TCU) apontou irregularidade de sobrepreço na refinaria e várias vezes pediu a suspensão das obras, mas o Congresso Nacional não votou pela suspensão, alegando que se tratava de uma obra estratégica para o País. O empreendimento começou a ficar caro antes de colocar a primeira estaca. Os problemas começaram logo na obra de terraplenagem, onde o TCU comprovou um superfaturamento de R$ 69,6 milhões. O resultado do relatório do TCU aponta que o valor original do contrato, assinado com o consórcio formado pelas empreiteiras Camargo Corrêa, Galvão Engenharia, Queiroz Galvão e Odebrecht, saltou de R$ 429,2 milhões para R$ 534,2 milhões entre 2007 e 2011. O órgão de fiscalização exigiu que a Petrobras cobrasse a devolução dos quase R$ 70 milhões. Do total, a Petrobras recebeu R$ 49,8 milhões, por meio de notas de crédito.

O aumento estrondoso no orçamento fez a presidente da Petrobras, Maria das Graças Foster, fazer um mea-culpa durante a apresentação do Plano de Negócios da companhia, em 2012.

"A Refinaria do Nordeste é uma história a ser aprendida, escrita, lida pela companhia, de tal forma a que não seja repetida. Existe claramente um aumento significativo do investimento inicial da refinaria, do seu marco zero, em setembro de 2005. O óleo a ser refinado conta hoje com atraso de três anos. É claro, absolutamente claro, o não cumprimento integral da sistemática de aprovação de projetos neste caso específico. Uma história a ser aprendida e não repetida", desabafou. Nesse ano, a executiva voltou a dizer que a obra foi feita "sem zelo, sem cuidado". E mais cara do que a Copa.

Fonte: Jornal do Commercio

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