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Quando a saúde não é para todos

5 de junho de 2016

Muitas pessoas protelaram o sonho de ter uma casa própria ou um carro zero este ano, diante da forte crise econômica. Entretanto, o gasto com assistência médica continua sendo uma prioridade no orçamento das famílias, que tentam manter o serviço, já considerado um “artigo do luxo”, considerando os altos custos dos contratos. Por causa do desemprego, que já atinge 11,4 milhões pessoas, a evasão dos clientes de seguros e planos de saúde privados em assistência médica é massiva. Nos últimos 12 meses, 1,3 milhão de pessoas deixaram os planos no País, uma redução de 2,7%. Em muitos desses casos, as famílias precisam fazer uma escolha difícil: quais parentes continuarão ou não com a cobertura.

A maior parte dessas saídas dos planos de saúde foram nos contratos empresariais ou coletivos, ou seja, os que possuem vínculo empregatício. É o que indica os dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). O drama de mais de um milhão de brasileiros representa a história da desempregada Regina Caffe. Ela e o marido perderam o emprego e tentaram manter seu filho no plano. Thiago, de 28 anos, sofreu um acidente há 14 anos e é dependente de acompanhamento Home Care (atendimento domiciliar). Depois que o marido e titular do plano perdeu o emprego, a família ainda tentou manter o benefício por algum tempo. A situação ficou mais grave quando Regina foi demitida meses depois.

“Eu entrei na Justiça para conseguir o tratamento do meu filho pelo SUS, mas até agora nada”, conta angustiada. Desesperada e com o plano do filho já atrasado por três meses, procurou ajuda nas redes sociais. “Não tive dúvida, lancei uma campanha na internet para tentar mobilizar as pessoas a me ajudar e conseguir pagar um plano para meu filho”, completa.

Não foi fácil, mas Regina conseguiu atingir um bom número de pessoas e arrecadar fundos. Entretanto, o dinheiro só foi suficiente para pagar a mensalidade do plano até estemês. Enquanto a sanção do juiz não sai, resta o desalento. “Já fui na Secretaria de Saúde, na ouvidoria e em entidades de defesa aos usuários de planos e ainda não tive retorno”, relata.

Regina e Tiago, eles não são os únicos a passar por situações degradantes e desumanas por causa do desemprego e da dependência de sistemas ineficientes de saúde. Para a advogada Karla Guerra da Aduseps (Associação de Defesa dos Usuários de Seguros, Planos e Sistemas de Saúde), o consumidor de plano de saúde é a parte mais vulnerável e, coma situação do desemprego, a readequação é muito complicada. “Quando a pessoa é dependente de um plano empresarial e perde o vínculo, a frustração de retornar para o SUS e não poder contar com um serviço satisfatório são os problemas mais difíceis”, diz. Entidades de defesa aos usuários de planos de saúde privados também denunciam os abusos nos reajustes dos contratos coletivos dos planos de saúde, que não são ANS. “Vai além do próprio desemprego, que já é muito grande. As operadoras aplicam reajustes acentuados e, por causa da dificuldade de renda do trabalhador de manter o benefício, saem do plano ou dão prioridade a alguém da família”, comenta o diretor do Instituto Apolo em Defesa da Vida e da Saúde (IADV) Diogo Santos. Atualmente existem cerca de 48,8 milhões de contratos de saúde privada no Brasil, de acordo com a ANS.

Fonte: Folha de Pernambuco

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