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Pibinho empobrece o País

30 de março de 2015

RIO e RECIFE – A economia brasileira ficou estagnada em 2014, com alta de apenas 0,1%, informou o IBGE ontem. O PIB per capita (toda a riqueza do País dividida pela população) caiu pela primeira vez desde 2009: recuo de 0,7%. Ficou em R$ 27.229. Em 2013, o PIB per capita havia obtido crescimento de 1,8% em relação a 2012. O recuo em 2014 ocorreu porque o crescimento populacional foi de 0,9%, ou seja, um avanço superior ao da economia. Trocando em miúdos, significa dizer que o crescimento econômico baixo reduziu a renda e, consequentemente, o poder de compra do brasileiro. Estamos mais pobres.

No quarto trimestre do ano passado, a atividade econômica avançou 0,3%, na comparação com os três meses anteriores. Com esse resultado, o o PIB do país ficou em R$ 5,521 trilhões. Com isso, o País não corre mais risco de recessão técnica, que seriam dois trimestres seguidos de queda no PIB.

A taxa de investimento da economia caiu para 19,7% em 2014. Em 2013 tinha sido de 20,5%. Rebeca Palis, gerente de contas nacionais do IBGE, destacou que essa foi a principal contribuição negativa para o PIB. A taxa de poupança, por sua vez, teve uma queda mais acentuada, de 17% em 2013 para 15,8%.

Pela ótica da oferta, a indústria teve o pior desempenho, com queda de 1,2%, enquanto serviços avançaram 0,7%. A agropecuária cresceu 0,4%. Pela ótica da demanda, o consumo das famílias avançou 0,9%, o menor crescimento desde a queda de 0,7% registrada em 2003, e o do governo, 1,3%.

O desempenho do consumo das famílias, item que deu suporte às taxas mais robustas no passado (veja arte), pode ser explicado por um crescimento menor da massa salarial e do crédito para pessoas físicas, enquanto a inflação e a taxa básica de juros da economia avançaram. Em 2014, a massa salarial subiu 4,1%, ao lado de alta nominal de 5,8% do crédito para pessoa física. Se considerado o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 6,41% em 2014, houve queda real desse crédito. E a taxa Selic média passou de 8,2% em 2013 para 10,9% em 2014. Todo este contexto trava a economia.

"A massa salarial continua crescendo, mas o crédito para pessoa física não tem mais crescimento real, ou seja, sem considerar a inflação. Ao mesmo tempo, a Selic subiu e a inflação também", explicou a coordenadora de Contas Nacionais do IBGE.

Os impostos acabaram puxando a economia para baixo em 2014, o que não vinha ocorrendo em anos anteriores. No ano passado, os impostos sobre produtos tiveram queda de 0,3%. A última vez em que isso tinha ocorrido foi em 2009.

O recuo do volume dos impostos é explicado, segundo Rebeca Palis, pelo fraco desempenho da indústria, que paga muitos tributos em alguns segmentos. Isso afeta o volume do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e das importações.

A maior contribuição para o crescimento pela ótica da oferta veio do setor de serviços. Apesar do avanço da agropecuária de 0,4%, o peso dela é muito pequeno e a contribuição foi nula.

Fonte: Jornal do Commercio

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