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Para mercado, medida terá efeito restrito

21 de agosto de 2014

RIO – As medidas anunciadas pelo Banco Central ontem, para injetar dinheiro na economia brasileira terão efeito restrito. Segundo especialistas, os maiores bancos do País estão indo na contramão do que deseja o governo federal, restringindo e encarecendo o crédito como resposta à alta da inadimplência. No lugar de aumentar a oferta, Itaú Unibanco, Bradesco e Santander, e até instituições públicas, estão reduzindo o ritmo de expansão do crédito. E, segundo os próprios bancos, esse cenário não deve mudar a curto prazo, dificultando o desejado incremento do consumo.

"No primeiro momento, o efeito prático vai ser muito limitado, porque os bancos estão com uma postura muito conservadora com o crédito. Eles temem o avanço da inadimplência e não estão emprestando, e o próprio Banco do Brasil, que é público, reduziu muito sua oferta. Acho que só poderá ter efeito quando o setor sentir que a economia voltou a crescer com mais força", disse um analista especializado no setor, que preferiu não ser identificado.

Luis Otávio Leal, economista do banco ABC Brasil, concorda que não está claro se as medidas terão efeito. "A pergunta é se os bancos não querem emprestar ou se o consumidor não tem espaço para pegar o empréstimo. Se for essa segunda opção, de demanda, vamos ter que esperar. Vamos ter uma boa prova agora (após as medidas do BC) do que vai acontecer", disse Leal.

Ontem, o BC anunciou um novo conjunto de medidas para liberar R$ 25 bilhões em capital dos bancos e injetar dinheiro na economia para estimular o crescimento. A autoridade monetária fez uma nova mudança nos depósitos compulsórios, parte dos recursos dos clientes que os bancos são obrigados a recolher aos cofres do BC.

A autarquia também reverteu todas as medidas tomadas em 2010 para restringir o crédito, batizadas de macroprudenciais. Isso libera mais R$ 15 bilhões do capital dos bancos, o que poderia gerar empréstimos novos de até R$ 140 bilhões.

Há menos de um mês, os técnicos da autarquia anunciaram mudanças que, juntas, tinham um potencial de irrigar a economia com R$ 45 bilhões.

Juros altos, inflação perto do teto da meta (reduzindo o poder de compra das famílias) e o enfraquecimento do mercado de trabalho contribuem para o crescimento do calote. E os bancos estão com maior cautela na concessão de crédito para lidar com esse cenário. Em julho de 2014, a inadimplência de consumidores no Brasil subiu 11% frente ao ano anterior e acumula alta de 0,6% nos sete primeiros meses do ano, na mesma base de comparação.

Fonte: Jornal do Commercio

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