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Os números da discórdia
17 de janeiro de 2007
Pai da lógica moderna, o filósofo e matemático Aristóteles ensinou à humanidade que números são sempre inquestionáveis. O genial pensador grego não conhecia bem a política, uma ciência em que a mesma operação pode apresentar resultados completamente distintos, dependendo de quem faça as contas. Ontem, durante uma entrevista coletiva à imprensa, o governador Eduardo Campos (PSB) afirmou que o estado vive uma situação de total desequilíbrio financeiro, com um déficit de R$ 255,1 milhões. Jarbas Vasconcelos (PMDB) e Mendonça Filho (PFL), os ex-governadores que saíram há menos de quinze dias, no entanto, encontraram outro produto para a soma dos fatores. Segundo eles, apenas em contratos e convênios os valores chegariam a R$ 1,3 bilhão, dinheiro suficiente para garantir uma gestão sem apertos e com capacidade para investir.
As diferentes leituras só estendem uma briga entre os dois grupos que se arrasta desde novembro, quando foi inciada a transição. Naquela época, o vice-governador João Lyra (PDT) – que coordenou os socialistas durante o processo – acusava a então secretária da Fazenda, Maria José Briano, de esconder o saldo da conta única estadual. “Pelas informações não batia R$ 1,3 bi. Nunca bateu. Aí, agora temos um déficit de R$ 255 milhões, por isto que eles não divulgaram números”, afirmou Lyra ao final da coletiva realizada ontem. Eduardo preferiu não atacar diretamente os antecessores, mas cutucou Jarbas e Mendonça ao comentar as notas divulgadas pelos aliancistas na segunda-feira.
“Não estou fazendo nota, estou mostrando o saldo que o governo anterior não mostrou e teve tempo para fazê-lo. O que temos aqui e estamos apresentando são dados oficiais, estes valores foram passados em mãos pela secretária que saiu (Briano) a Djalma Leão (atual titular da Fazenda)”, comentou. Ele assegurou que a entrevista não era um ato político, mas uma questão de transparência com a população. “Não é um cabo de aço, é um dado concreto, um número de conta bancária. Precisamos acabar com isto. O que fiz hoje o próximo governador, daqui a quatro anos, poderá fazer”.
Apesar das farpas, Eduardo Campos não questionou a qualidade dos gastos feitos na administração anterior. “Não estamos dispostos a fazer isto”, disse. Ele garantiu que todas as contas do estado serão disponibilizadas pela internet, promessa feita durante a campanha, mas não informou quando o sistema estará no ar.
Eduardo disse que o papel de julgar as contas de Jarbas/Mendonça sob a Lei de Responsabilidade Fiscal não cabe ao grupo socialista, mas ao Tribunal de Contas do Estado e à Assembléia Legislativa. “Quando preciso ele (o TCE) aciona o Ministério Público. Não quero fazer consideração sobre o governo anterior”, opinou. O governador anunciou, mas não detalhou, um plano emergencial para equilibrar as contas, captando principalmente recursos a fundo perdido junto ao Governo Federal, economizando em custeio e racionalizando os gastos públicos. “Cada membro da equipe, não só os secretários, vão receber metas e fazer procedimentos conhecidos de revisão de contratos, commetas de redução. Todos terão de fazer o dever de casa”. Eduardo assegurou que as áreas como saúde, educação e segurança são prioritárias e não sofrerão cortes. Os números indicam que há desequilíbrio, mas vamos vencer com gestão integrada. Vamos cumprir nosso programa de governo. Dificuldades precisam ser vencidas. Vamos mostrar que vamos equilibrar o estado e viver um novo patamar econômico. Estou mostrando aqui o saldo que o governo anterior não mostrou e teve tempo para fazer
Fonte: Diário de Pernambuco
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